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segunda-feira, 18 de maio de 2015
Projetos incentivados : Síntese da Lei Rouanet
1. O que é a Lei Rouanet?
A Lei Rouanet (Lei 8.313/1991), promulgada durante a gestão do ministro Sérgio Paulo Rouanet, instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), cuja finalidade é a captação e canalização de recursos para os diversos setores culturais.
2. O que é o PRONAC?
O Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC) foi instituído em dezembro de 1991, com a promulgação da Lei nº 8.1313/ 91, mais conhecida como Lei Rouanet. O PRONAC visa a apoiar e direcionar recursos para investimento em projetos culturais. Os produtos e serviços resultantes serão de exibição, utilização e circulação pública, não podendo ser destinados ou restritos a circuitos privados e coleções particulares.
3. Quais são as finalidades do PRONAC?
Facilitar à população o acesso às fontes de cultura;
Estimular a produção e difusão cultural e artística regional;
Apoiar os criadores e suas obras;
Proteger as diferentes expressões culturais da sociedade brasileira;
Proteger os modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira;
Preservar o patrimônio histórico e cultural brasileiro;
Desenvolver a consciência e o respeito à cultura de outros povos e/ou nações;
Estimular a produção e a difusão de bens culturais de valor universal;
Dar prioridade ao produto cultural brasileiro.
4. Quais são os mecanismos de apoio do PRONAC?
Incentivo Fiscal
Fundo Nacional da Cultura – FNC
Fundos de Investimento Cultural e Artístico – Ficart (ainda não ativos)
5. Quem pode ser beneficiado pelo mecanismo de incentivo fiscal?
Podem apresentar propostas pelo mecanismo de incentivo fiscal as pessoas físicas com atuação na área cultural (artistas, produtores culturais, técnicos da área cultural etc.); pessoas jurídicas públicas de natureza cultural da administração indireta (autarquias, fundações culturais etc.); e pessoas jurídicas privadas de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos (empresas, cooperativas, fundações, ONGs, organizações culturais etc.).
6. O que é uma proposta cultural?
Requerimento apresentado por pessoa física ou jurídica de natureza cultural, por meio do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), visando à obtenção dos benefícios do mecanismo de incentivo fiscal da Lei nº 8.313/1991. A proposta deve conter programas, planos, ações ou conjunto de ações inter-relacionadas para alcançar objetivos específicos, dentro dos limites de orçamento e tempo delimitados. Após análise de admissibilidade realizada pelo MinC, a proposta ganha o status de projeto cultural e é encaminhada à Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que recomendará aprovação ou indeferimento ao Ministério.
7. Como apresentar uma proposta cultural para o mecanismo de incentivo?
As propostas culturais serão apresentadas exclusivamente pelo Sistema de Apoio às Leis de Incentivo (Salic), que pode ser acessado pelo link:
http://sistemas.cultura.gov.br/propostaweb
Após acessada a página inicial do sistema, o usuário deverá acessar o link “Não sou cadastrado”. Preencha os dados e aguarde o recebimento do e-mail com senha.
No ato do cadastramento da proposta, o proponente deverá comprovar sua natureza cultural anexando ao formulário preenchido a documentação exigida no Art. 7º da Instrução Normativa nº 1/2012/ MinC, conforme sua natureza jurídica. Para as pessoas jurídicas, a inscrição será feita por seu representante legal e a comprovação da finalidade cultural do proponente dar-se-á por meio das informações contidas nos atos constitutivos, no contrato social, no estatuto, na ata ou em instrumento congênere e de elementos materiais comprobatórios de sua atuação na área cultural nos últimos 2 anos.
Deve-se ressaltar que o período para apresentação de propostas culturais é de 1º de fevereiro a 30 de novembro de cada ano. Ademais, não serão admitidas propostas culturais apresentadas em prazo inferior a 90 dias da data prevista para o início da execução do projeto.
8. Quais documentos necessários para o cadastramento da proposta?
No momento do cadastramento da proposta cultural no Sistema de Apoio às Leis de Incentivo (Salic), serão anexados os seguintes documentos em meio digital (formato PDF) e prestadas as seguintes informações:
Para pessoas físicas:
a) Currículo ou portfólio, com destaque para as atividades na área cultural;
b) Cópia de documento legal de identificação que contenha foto e assinatura, número da Carteira de Identidade e do CPF; e
c) Cédula de identidade de estrangeiro emitida pela República Federativa do Brasil, se for o caso;
Para pessoas jurídicas:
a) Relatório das ações de natureza cultural realizadas pela instituição;
b) No caso de a instituição ter menos de dois anos de constituição, anexar no Salic a versão atualizada do currículo ou portfólio, comprovando as atividades culturais de seus dirigentes;
c) Cópia atualizada do estatuto ou contrato social e respectivas alterações posteriores devidamente registradas no órgão competente ou do ato legal de sua constituição, conforme o caso;
d) Cópia da ata de eleição da atual diretoria, do termo de posse de seus dirigentes, devidamente registrado, ou do ato de nomeação de seus dirigentes, conforme for o caso;
e) Cópia de documento legal de identificação do dirigente da instituição que contenha: foto, assinatura, número da Carteira de Identidade e do CPF;
Para qualquer proposta cultural:
a) Plano básico de divulgação, de acordo com campos previamente definidos no Salic;
b) Plano de distribuição, com descrição dos produtos a serem distribuídos, inclusive os gratuitos, especificando a destinação e os valores;
c) Projeto pedagógico com currículo do responsável, no caso de proposta que preveja a instalação e manutenção de cursos de caráter cultural ou artístico, destinados à formação, à capacitação, à especialização e ao aperfeiçoamento de pessoal da área da cultura;
d) Plano de execução contendo carga horária e conteúdo programático, no caso de oficinas, de workshops e de outras atividades de curta duração;
e) Outras fontes pretendidas para a arrecadação de recursos, inclusive aqueles solicitados a outros órgãos e esferas da Administração Pública, assim como dos recursos próprios ou de terceiros, caso venha a ocorrer durante a execução do projeto;
f) Declaração de que obterá a autorização dos titulares dos direitos autorais, conexos e de imagem em relação aos acervos, às obras e imagens de terceiros como condição para utilizá-los no projeto;
g) Declaração de que obterá alvará ou autorização equivalente emitida pelo órgão público competente, no caso de eventos ou intervenções artístico-culturais em espaços públicos; e
h) Declaração de que destinará para fins culturais, todo e qualquer bem ou material permanente a ser adquirido ou produzido com recursos de incentivo fiscal, após a finalização do projeto ou dissolução da instituição, devendo ainda apresentar recibo na prestação de contas, no caso de direcionamento do bem a outra entidade de natureza cultural;
Obs: Para cada área cultural, há um rol de documentos específicos. Verificar documentação no Art. 7º daInstrução Normativa nº 1/ 2012/ MinC.
9. Como um projeto cultural é aprovado para o mecanismo de incentivo?
Primeiramente, é realizada pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic) a análise de admissibilidade da proposta cultural, que promove a verificação documental e o exame preliminar. Em seguida, a proposta é transformada em projeto e segue para a unidade técnica de análise correspondente ao segmento cultural do produto principal (Funart, Ibram, Iphan, Palmares, Fundação Casa de Rui Barbosa ou Fundação Biblioteca Nacional).
Recebido o projeto, a unidade técnica analisa o projeto em até 30 dias corridos, podendo esse prazo ser estendido quando o projeto for de recuperação de patrimônio histórico ou de construção de imóvel. Durante esse processo, a unidade técnica homologa o parecer técnico emitido por um parecerista e retorna o processo para o Ministério da Cultura. Independemente da recomendação técnica pela aprovação (total ou parcial) ou pelo indeferimento, o projeto é encaminhado à Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, que se manifesta e recomenda decisão.
Depois da manifestação da CNIC, o projeto cultural é submetido à decisão do secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, da qual o proponente é notificado em até 5 dias úteis por meio do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo (Salic). Em caso de aprovação total ou parcial, a decisão é ratificada pela Portaria de Autorização para Captação de Recursos Incentivados, publicada no Diário Oficial da União.
10. Quem pode apoiar projetos culturais?
Pessoas físicas pagadoras de Imposto de Renda
Empresas tributadas com base no lucro real
Não podem apoiar pelo incentivo fiscal:
Microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional
Empresas com regime de tributação baseada em lucro presumido ou arbitrado;
Doador ou patrocinador vinculado à pessoa, instituição ou empresa titular da proposta cultural, exceto quando se tratar de instituição sem fins lucrativos, criada pelo incentivador.
11. Quais são as formas de apoio?
O apoio pode ser efetuado por duas formas: doação ou patrocínio.
A doação compreende as seguintes ações:
Transferência definitiva e irreversível de recursos financeiros, em favor do titular da proposta cultural;
Transferência definitiva e irreversível de bens, em favor do titular da proposta cultural;
Também se configura como doação o valor despendido com as despesas de restauração, conservação ou preservação de bem tombado pela União, por pessoa física pagadora do Imposto de Renda ou pessoa jurídica tributada com base no lucro real dele proprietária ou titular. Este tipo de gasto também pode ser objeto de benefício fiscal.
Na doação é proibido qualquer tipo de promoção do doador e só podem se beneficiar dela propostas culturais de pessoa física, ou jurídica sem fins lucrativos.
O patrocínio compreende as seguintes ações:
Transferência definitiva e irreversível de dinheiro;
Transferência definitiva e irreversível de serviços;
Utilização de bens móveis ou imóveis do patrocinador, sem transferência de domínio.
No patrocínio pode haver publicidade do apoio com identificação do patrocinador, e qualquer proposta aprovada pode se beneficiar dele, inclusive as que estiverem em nome de pessoa jurídica com fins lucrativos.
12. Quais são os benefícios tributários do incentivador?
O Art. 18 da Lei nº 8.313/1991 permite ao contribuinte, pessoa física ou jurídica, abater integralmente do imposto de renda os valores destinados ao apoio de projetos culturais, a título de doação ou patrocínio, dos seguintes segmentos:
Artes Cênicas;
Livros de valor artístico, literário ou humanístico;
Música erudita ou instrumental;
Exposições de Artes Visuais;
Doações de acervos para bibliotecas públicas, museus, arquivos públicos e cinematecas, treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para manutenção desses acervos;
Produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual (apenas produções independentes e culturais-educaticas de caráter não-comercial, realizadas por empresas de rádio e televisão);
Preservação do patrimônio cultural material e imaterial (só é considerado como patrimônio o bem cultural oficialmente tombado, em esfera federal, estadual ou municipal; processo de tombamento em andamento não é considerado);
Construção e manutenção de salas de cinema e teatro, que poderão funcionar também como centros culturais comunitários, em Municípios com menos de 100.000 (cem mil) habitantes.
Quanto aos demais segmentos culturais, o Art. 26 da Lei 8.313/1991 estabelece os seguintes percentuais de dedução:
Pessoas Jurídicas tributadas com base no lucro real:
30% do valor patrocinado;
40% do valor doado.
Pessoas físicas:
60% do valor patrocinado;
80% do valor doado.
13. O que é o Fundo Nacional da Cultura?
O Fundo Nacional de Cultura (FNC) é um fundo público de natureza contábil, cujo objetivo é captar e destinar recursos para projetos culturais compatíveis com o PRONAC. Os benefícios são concedidos através de programas setoriais realizados por edital ou apoio das denominadas “propostas culturais de demanda espontânea”, que não se enquadram em programas específicos, mas têm afinidade com as políticas do setor cultural. O processo seletivo dessas demandas espontâneas é realizado pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (SEFIC), mediante a celebração de convênio ou contrato de repasse.
14. Quem pode obter apoio do Fundo Nacional da Cultura?
Podem propor projetos para receber recursos do FNC as pessoas físicas e jurídicas, com ou sem fins lucrativos, assim como entidades administrativas e órgãos públicos federais, estaduais e municipais. No tocante às pessoas jurídicas de direito público ou privado de natureza cultural sem fins lucrativos, estas são encaixadas na modalidade de apoio de recursos não-reembolsáveis. Já as pessoas físicas ou pessoas jurídicas privadas com fins lucrativos, na modalidade de apoio de financiamentos reembolsáveis, por meio de agentes financeiros credenciados pelo Ministério da Cultura.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Captação de Recursos: Oportunidade para todos os setores da produção cultural
Editais incentivam a produção cultural de quem tem menos oportunidades
Iniciativa
Grupos minoritários, como os ciganos e os negros, foram contemplados em editais do Ministério da Cultura em 2014
por Portal BrasilPublicado:
A estudante de direito Bárbara Angeli Piemonte Silva, 20 anos, nasceu em Franco da Rocha, interior de São Paulo, mas, apesar da pouca idade, já conheceu boa parte do Brasil e do mundo. Cigana, viveu cerca de seis meses em cada lugar por onde passou.
No roteiro, constam cidades de norte a sul do Brasil e capitais de outros países, como Buenos Aires, na Argentina, e Madri, na Espanha. Embora hoje esteja na faculdade, ainda lembra as dificuldades que enfrentou durante os tempos de escola, por ser cigana.
“Na escola, fui muito discriminada, não pelos professores e diretores, mas pelos próprios alunos, que me chamavam de suja. O ser humano julga muito a aparência, se você está bem vestido e se mora em uma boa casa”, lamenta Bárbara.
Para valorizar a cultura cigana, o Ministério da Cultura lançou, no ano passado, a terceira edição do Prêmio Culturas Ciganas. O edital, feito em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), visa conceder 60 prêmios de R$ 14.285,72.
Destes, 15 vão para pessoas físicas ciganas, 35 para grupos e comunidades ciganas sem constituição jurídica e 10 para instituições privadas sem fins lucrativos, integradas por indivíduos pertencentes a qualquer etnia cigana e reconhecidas por sua contribuição social e cultural à cultura cigana. No total, serão investidos o montante de R$ 857.143,20, derivados do Programa 2027 – Preservação, Promoção e Acesso à Cultura, da Administração Direta.
“Isso ajuda bastante a ampliar os acampamentos. Em Brasília, tem uma escola de dança com dificuldade: a condição deles lá é precária, as lonas estão velhas, e não há saneamento básico, nem luz”, conta Bárbara. “O dinheiro ajudaria a trocar as lonas, e o prêmio também valoriza essa comunidade e ajuda a combater o preconceito”, completa.
Este foi apenas um dos editais com foco em comunidades minoritárias lançados pelo Ministério da Cultura no ano passado. Em 2014, o prêmio Cultura Hip Hop, por exemplo, realizado em parceria com a Fundação Nacional das Artes (Funarte), veio a público com o objetivo de premiar 170 iniciativas, entre R$ 14,3 mil e R$ 20 mil, que fortalecem expressões culturais do movimento Hip Hop.
Incentivo a artistas negros
O Ministério da Cultura, em parceria com entidades vinculadas e secretarias, também lançou iniciativas voltadas para artistas negros. Foi o caso do Edital Bolsa Funarte de Fomento aos Artistas e Produtores Negros. Com investimento de R$ 4 milhões, o edital contemplará 45 projetos.
Na área de cinema, também houve iniciativas do governo. O edital Curta Afirmativo: Protagonismo da Juventude Negra na Produção Audiovisual busca contemplar 34 projetos com investimento de R$ 3 milhões.
A brasiliense Priscila Pereira Martiniano da Silva, de 19 anos, foi uma das beneficiadas e pôde realizar seu primeiro curta como diretora, ao se inscrever no edital Curta Afirmativo. Escolheu uma história que se passou com seu pai, Alexandre Silva, um cinegrafista apaixonado pela profissão, que acabou envolvido com ladrões de banco ao fazer uma reportagem.
Em 2014, foram lançados também o Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, que visa beneficiar 25 projetos nas áreas de dança, artes visuais, teatro e música, assim como a publicação do Prêmio de Culturas Afro-Brasileiras, que contemplou 80 iniciativas de comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana e coletivos culturais negros.
Fonte: Portal Brasil
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Captação em alta : Festival de Cinema de Curitiba terá mais de 100 filmes
Mais de cem filmes serão exibidos no Festival de Cinema de Curitiba
Festival Internacional de Cinema da Bienal começa nesta terça-feira (28).
Toda a programação é gratuita; evento segue até dia 8 de novembro.
Do G1 PR
Começa nesta terça-feira (28), o Festival Internacional de Cinema da Bienal de Curitiba(Ficbic). O evento segue até o dia 8 de novembro e toda a programação é gratuita. Mais de cem filmes – entre curtas-metragens, longas e documentários nacionais e estrangeiros – serão exibidos.
Com curadoria do jornalista e crítico de cinema Sérgio Alpendre, o festival apresentará as mostras principais “Panorama do Cinema Mundial” e “Panorama do Cinema Brasileiro” de 3 até 8 de novembro. Vinte filmes foram selecionados para estas duas mostras como o documentário “National Gallery”, de Frederik Wiseman (EUA e França, 2014) e os longas “Queen & Country”, de John Boorman (Reino Unido, Irlanda, França, Romênia, 2014) e “Dois casamentos”, de Luis Rosemberg Filho (Brasil, 2012).
Outras mostras
“Circuito Universitário” é a mostra competitiva do festival e tem como objetivo de fomentar e reconhecer a produção realizada em universidades. Ela será aberta nesta terça-feira com workshop de Jonathan Whittaker, da New York Film Academy (NYFA), produtor e diretor de curtas-metragens, videoclipes, documentários, entre outras produções. Os vencedores da mostra competitiva ganharão um curso na NYFA.
Já a mostra “Universo Z” é voltada a alunos da rede pública de ensino, com curadoria de Minom Pinho, sócia-diretora da Casa Redonda Cultural e produtora-executiva de filmes como “As Melhores Coisas do Mundo”, de Laís Bodanzky.
Filmes que se destacaram fora do circuito comercial serão apresentados na mostra paralela “+Circuitos”. Parte dos filmes que integram a programação do Ficbic irá compor uma mostra itinerante, que terá sessões em Londrina, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guaíra e Paranaguá.
Serviço:
Mostra “Panorama do Cinema Mundial”: de 3 a 8 de novembro
Mostra “Panorama do Cinema Brasileiro”: de 3 a 8 de novembro
Mostra competitiva “Circuito Universitário”: de 28 a 31 de outubro
Mostra “Cinema em Retrospectiva”: 2 de novembro
Mostra “+ Circuitos”: de 2 a 7 de novembro
http://cursosraizesculturais.com.br/festival-de-cinema-de-curitiba-exibe-mais-de-100-filmes/
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/10/mais-de-cem-filmes-serao-exibidos-no-festival-de-cinema-de-curitiba.html
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quarta-feira, 2 de julho de 2014
Curso de Captação de Recursos · Editais de Incentivo à Cultura são homologados
Foto: Frederick Borges
O governador Sandoval Cardoso assinou na noite de quinta-feira, 26 de junho, a homologação dos Editais de Incentivo à Cultura do Estado. Acompanharam a assinatura do documento, no gabinete do governador, a secretária de Estado da Educação e Cultura, Adriana Aguiar, e o músico e compositor Toninho Borges, nomeado na segunda-feira, 23 de junho, diretor de Arte e Cultura da Pasta.
Com a homologação do resultado final da fase de avaliação e seleção dos editais, a secretária Adriana ressaltou a importância de fomentar a cultura tocantinense e frisou o empenho do Estado em apoiar as iniciativas que valorizem os artistas da região. “Isso significa seriedade, é o fim do balcão de negócios em relação a oportunidades aos artistas do nosso estado. Então é uma forma bastante democrática para contemplar a cultura tocantinense”, afirmou.
Os prêmios para cada iniciativa vão de R$ 12 mil a R$ 100 mil. Os editais abrangem oito áreas artísticas, como música, audiovisual, artes visuais, artes cênicas, cultura popular, tradicional e artesanato, cultura indígena e o Programa de Infraestrutura Cultural. A partir da publicação da homologação do resultado final dos editais no Diário Oficial do Estado, os proponentes selecionados terão 15 dias para entregar a documentação fiscal e tributária exigida pela comissão organizadora. “A partir do momento que os artistas forem apresentando a documentação necessária para o pagamento, os processos serão encaminhados para a apreciação da assessoria jurídica e, estando tudo certo, gradativamente os pagamentos serão efetuados”, ressaltou a secretária.
Os projetos contemplados que estão sendo investigados pelo Ministério Público Estadual (MPE) só serão pagos após o fim do processo de apuração.
Diálogo aberto
De acordo com Adriana Aguiar, a intenção da Seduc é aproximar a pasta dos artistas e produtores culturais. A secretária enfatizou a necessidade de manter o diálogo aberto e se colocou à disposição da categoria. “A gente quer fazer um trabalho mais próximo, com mais diálogo com a classe para avançar nas solicitações que eles fazem. Nós queremos compreender através do diálogo”, frisou. (Ascom Seduc)
fonte: http://conexaoto.com.br/2014/06/27/editais-de-incentivo-a-cultura-sao-homologados
Para saber mais sobre Curso de Captação de Recursos acesse cursosraizesculturais.com.br
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Curso de Captação de Recursos ·Um novo caminho
Modelo de captação de recursos une leis de incentivo à cultura a financiamento coletivo

Espetáculo. Peça “Rita Lee Mora ao Lado” fez uso da Lei Rouanet, do Proac e também de doações

Oportunidade. A animação “Boris na Estrada” arrecadou quase R$ 25 mil para o piloto da série. “Conseguimos doação direta de empresa que vai utilizar o personagem em uma de suas propagandas. Para nós, o investimento foi essencial”, afirma um dos responsáveis pelo projeto, Luccas Oliveira

Feito. O primeiro longa brasileiro filmado por atores reais em 3D, “Se Puder... Dirija” foi financiado por meio de crossfunding pelo site Partio. A trama mostra uma aventura do manobrista João (Luis Fernando Guimarães) que se separou da mulher e tem se tornando um pai ausente para seu filho

Sonho. Formado pelo pianista Bruno Piazza, pelo baixista Filipe Maróstica e pelo baterista Gabriel Alterio, o grupo Oritá conseguiu arrecadar R$ 29.620 mil para gravar o primeiro álbum do grupo. Como recompensa, os contribuintes ganharão o link para download do CD antes do lançamento
Os slogans de sites de financiamento coletivo brasileiros até tentam se diferenciar utilizando expressões como “projetos de impacto”, “encontro de microempreendedores” e “para inovadores”, mas a verdade é que todos eles seguem a mesma premissa: dar suporte tecnológico para que projetos culturais, esportivos, pequenos negócios e campanhas políticas e filantrópicas possam arrecadar fundos por meio de doações de pessoas físicas.
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Crossfunding
Reverberações no mercado
Olhares criativos para a captação de recursos financeiros
Mais
Nos últimos cinco anos, essa prática para obtenção de recursos financeiros tornou-se popular no Brasil e recentemente desdobrou-se em um novo modelo de captação, voltado para área cultural, chamado por Carlos Rolim, sócio-fundador do site Partio, de “crossfunding”. O mecanismo é uma junção entre a captação tradicional com empresas, por meio prioritariamente de leis de incentivo, com o financiamento coletivo. “Quando tive a ideia, há dois anos, a intenção era ajudar no processo de captação de dinheiro para pequenos projetos entre pessoas conhecidas, como familiares e amigos, sem constrangimento”, comenta.
Até aí, poderia parecer com o já tradicional financiamento coletivo, porém, no crossfunding os projetos também podem utilizar de leis de incentivo à cultura e, assim, obter doações de empresas ou até mesmo de pessoas físicas. Foi ancorada nessa possibilidade que, a partir de 2011, foi lançada a plataforma Sibite. Bruno Beauchamps, um dos fundadores do site, conta que a sua experiência com o funcionamento das leis de incentivo à cultura ajudou a deslanchar o projeto.
“Eu já trabalhava na área de distribuição de cinema, captando dinheiro, por meio das leis de incentivo, quando criamos o site Sibite. Esse conhecimento da atuação das empresas, por meio dos instrumentos de patrocínio, nós somamos com essa proposta de financiamento coletivo. Foi a partir daí que surgiu nossa atuação no crossfunding e hoje atendemos vários tipos de perfis. Há desde quem opte por esse serviço porque não quer trabalhar com as leis ou quem o procure justamente por essa possibilidade de ampliar as formas de obter recursos”, explica Bruno Beuachamps.
Exemplo. Mesmo desconhecida por grande parte da população, a prática apresenta vários cases de sucessos. Entre eles, o musical “Rita Lee Mora ao Lado”, que utilizou de doações e da Lei Rouanet, ultrapassando a meta estipulada de R$ 230 mil e arrecadando R$ 305 mil. “É um processo novo, mas muito importante por permitir que pequenos programas se insiram no panorama cultural, pois ainda hoje os projetos com maiores valores recorrem às vias tradicionais”, afirma a produtora do espetáculo, Elza Costa.
O trio de música instrumental paulista Oritá também conseguiu recursos para gravação de seu primeiro CD por meio de doações, tanto de pessoa física quanto jurídica. Neste caso, a contrapartida foi o suficiente para uma universidade investir R$ 5.000 na proposta, em troca de uma apresentação para seus alunos.
“Optamos por não buscar a lei de incentivo pois é um trabalho muito grande e queríamos depender menos do governo. Ao mesmo tempo, achamos que não iríamos conseguir atingir o orçamento porque o custo era alto (R$ 28 mil) para investimentos diretos. Por isso foi um alívio quando a meta foi alcançada”, afirma o integrante e pianista da banda, Bruno Piazza.
Ambos os casos foram clientes do site Partio, que recebe 10% do valor arrecadado em troca de consultorias feitas basicamente por três formas: “recebemos proposta de quem já tem projetos aprovados em alguma lei de incentivo; de quem não quer captar via empresas ou pessoas físicas; ou de quem deseja captar por meio da Lei Rouanet, mas não tem um projeto”, lista Rolim.
Um dado frisado por ele é que pequenos projetos se beneficiam muito com essa estratégia. “Propostas de R$ 10 mil a R$ 15 mil que poderiam levar seis meses a um ano para serem aprovadas, nós conseguimos viabilizar em tempo muito menor. Em todos os casos, nós também ajudamos as pessoas a entender o mercado e temos parceiros que indicamos para escrever um projeto quando é necessário”, acrescenta Rolim.
Para a mestre em Empreendedorismo Cultural e Criativo, pela Goldsmiths University of London, Rafaela Cappai, iniciativas como o Sibite e Partio são manifestações de empreendedorismo criativo, cruciais no contexto atual do país. “É essencial investir em formas inovadoras, pois é preciso ter fontes de recursos diferentes para os projetos culturais. Dessa forma, a dependência das leis e de ter um único patrocinador diminui. Já aconteceu comigo, por exemplo, de perder patrocinador ou a lei não aprovar o projeto e o negócio morrer. Assim não há sustentabilidade”, comenta a especialista. AnÁlise.
Outro aspecto apontado por Rafaela, que torna o crossfunding atrativo para produtores, é ter o projeto exposto em uma “vitrine”, vista por financiadores diferentes. “Quando, por exemplo, um projeto para o livro consegue doações de 300 pessoas no processo, automaticamente, uma marca vai ficar interessada em ter seu nome em um projeto que conseguiu engajar um público certo”, analisa.
Ela, porém, alerta que o novo modelo é apenas um caminho a ser explorado e não deve ser entendido como único. “É importante ter receitas financeiras diversificadas, inclusive do próprio financiamento coletivo. A gente sabe que é um tipo de campanha que desgasta a relação, pois dificilmente a mesma pessoa vai ficar contribuindo todo mês. Mas costumo dizer que é mais uma moedinha nesse cofre”, afirma.
Para saber mais sobre Curso de Captação de Recursos acesse cursosraizesculturais.com.br
Espetáculo. Peça “Rita Lee Mora ao Lado” fez uso da Lei Rouanet, do Proac e também de doações
Oportunidade. A animação “Boris na Estrada” arrecadou quase R$ 25 mil para o piloto da série. “Conseguimos doação direta de empresa que vai utilizar o personagem em uma de suas propagandas. Para nós, o investimento foi essencial”, afirma um dos responsáveis pelo projeto, Luccas Oliveira
Feito. O primeiro longa brasileiro filmado por atores reais em 3D, “Se Puder... Dirija” foi financiado por meio de crossfunding pelo site Partio. A trama mostra uma aventura do manobrista João (Luis Fernando Guimarães) que se separou da mulher e tem se tornando um pai ausente para seu filho
Sonho. Formado pelo pianista Bruno Piazza, pelo baixista Filipe Maróstica e pelo baterista Gabriel Alterio, o grupo Oritá conseguiu arrecadar R$ 29.620 mil para gravar o primeiro álbum do grupo. Como recompensa, os contribuintes ganharão o link para download do CD antes do lançamento
Os slogans de sites de financiamento coletivo brasileiros até tentam se diferenciar utilizando expressões como “projetos de impacto”, “encontro de microempreendedores” e “para inovadores”, mas a verdade é que todos eles seguem a mesma premissa: dar suporte tecnológico para que projetos culturais, esportivos, pequenos negócios e campanhas políticas e filantrópicas possam arrecadar fundos por meio de doações de pessoas físicas.
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Nos últimos cinco anos, essa prática para obtenção de recursos financeiros tornou-se popular no Brasil e recentemente desdobrou-se em um novo modelo de captação, voltado para área cultural, chamado por Carlos Rolim, sócio-fundador do site Partio, de “crossfunding”. O mecanismo é uma junção entre a captação tradicional com empresas, por meio prioritariamente de leis de incentivo, com o financiamento coletivo. “Quando tive a ideia, há dois anos, a intenção era ajudar no processo de captação de dinheiro para pequenos projetos entre pessoas conhecidas, como familiares e amigos, sem constrangimento”, comenta.
Até aí, poderia parecer com o já tradicional financiamento coletivo, porém, no crossfunding os projetos também podem utilizar de leis de incentivo à cultura e, assim, obter doações de empresas ou até mesmo de pessoas físicas. Foi ancorada nessa possibilidade que, a partir de 2011, foi lançada a plataforma Sibite. Bruno Beauchamps, um dos fundadores do site, conta que a sua experiência com o funcionamento das leis de incentivo à cultura ajudou a deslanchar o projeto.
“Eu já trabalhava na área de distribuição de cinema, captando dinheiro, por meio das leis de incentivo, quando criamos o site Sibite. Esse conhecimento da atuação das empresas, por meio dos instrumentos de patrocínio, nós somamos com essa proposta de financiamento coletivo. Foi a partir daí que surgiu nossa atuação no crossfunding e hoje atendemos vários tipos de perfis. Há desde quem opte por esse serviço porque não quer trabalhar com as leis ou quem o procure justamente por essa possibilidade de ampliar as formas de obter recursos”, explica Bruno Beuachamps.
Exemplo. Mesmo desconhecida por grande parte da população, a prática apresenta vários cases de sucessos. Entre eles, o musical “Rita Lee Mora ao Lado”, que utilizou de doações e da Lei Rouanet, ultrapassando a meta estipulada de R$ 230 mil e arrecadando R$ 305 mil. “É um processo novo, mas muito importante por permitir que pequenos programas se insiram no panorama cultural, pois ainda hoje os projetos com maiores valores recorrem às vias tradicionais”, afirma a produtora do espetáculo, Elza Costa.
O trio de música instrumental paulista Oritá também conseguiu recursos para gravação de seu primeiro CD por meio de doações, tanto de pessoa física quanto jurídica. Neste caso, a contrapartida foi o suficiente para uma universidade investir R$ 5.000 na proposta, em troca de uma apresentação para seus alunos.
“Optamos por não buscar a lei de incentivo pois é um trabalho muito grande e queríamos depender menos do governo. Ao mesmo tempo, achamos que não iríamos conseguir atingir o orçamento porque o custo era alto (R$ 28 mil) para investimentos diretos. Por isso foi um alívio quando a meta foi alcançada”, afirma o integrante e pianista da banda, Bruno Piazza.
Ambos os casos foram clientes do site Partio, que recebe 10% do valor arrecadado em troca de consultorias feitas basicamente por três formas: “recebemos proposta de quem já tem projetos aprovados em alguma lei de incentivo; de quem não quer captar via empresas ou pessoas físicas; ou de quem deseja captar por meio da Lei Rouanet, mas não tem um projeto”, lista Rolim.
Um dado frisado por ele é que pequenos projetos se beneficiam muito com essa estratégia. “Propostas de R$ 10 mil a R$ 15 mil que poderiam levar seis meses a um ano para serem aprovadas, nós conseguimos viabilizar em tempo muito menor. Em todos os casos, nós também ajudamos as pessoas a entender o mercado e temos parceiros que indicamos para escrever um projeto quando é necessário”, acrescenta Rolim.
Para a mestre em Empreendedorismo Cultural e Criativo, pela Goldsmiths University of London, Rafaela Cappai, iniciativas como o Sibite e Partio são manifestações de empreendedorismo criativo, cruciais no contexto atual do país. “É essencial investir em formas inovadoras, pois é preciso ter fontes de recursos diferentes para os projetos culturais. Dessa forma, a dependência das leis e de ter um único patrocinador diminui. Já aconteceu comigo, por exemplo, de perder patrocinador ou a lei não aprovar o projeto e o negócio morrer. Assim não há sustentabilidade”, comenta a especialista. AnÁlise.
Outro aspecto apontado por Rafaela, que torna o crossfunding atrativo para produtores, é ter o projeto exposto em uma “vitrine”, vista por financiadores diferentes. “Quando, por exemplo, um projeto para o livro consegue doações de 300 pessoas no processo, automaticamente, uma marca vai ficar interessada em ter seu nome em um projeto que conseguiu engajar um público certo”, analisa.
Ela, porém, alerta que o novo modelo é apenas um caminho a ser explorado e não deve ser entendido como único. “É importante ter receitas financeiras diversificadas, inclusive do próprio financiamento coletivo. A gente sabe que é um tipo de campanha que desgasta a relação, pois dificilmente a mesma pessoa vai ficar contribuindo todo mês. Mas costumo dizer que é mais uma moedinha nesse cofre”, afirma.
fonte: http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/um-novo-caminho-1.873948
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Curso de Captação de Recursos · Obra que transformará casarão no Museu Regional do Norte de Minas recebe nova verba
A segunda etapa da obra terá R$ 150 mil viabilizados pela iniciativa privada. O museu, construído no casarão Fafil, terá espaço cultural
O projeto de implantação do Museu Regional do Norte de Minas, que funcionará no Casarão da Fafil, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), receberá recursos da ordem de R$ 150 mil. O investimento foi viabilizado na parceira com o Grupo Rima por intermédio da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet).
O prédio em estilo colonial, datado de 1889 e localizado no centro histórico de Montes Claros, foi reformado pelo governo de Minas em 2009, como parte da primeira etapa de criação do Museu Regional. Na oportunidade, os recursos aplicados também foram viabilizados pelas empresas Cemig Cultural e Telemar (Oi Futuro), por intermédio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
Atualmente, o projeto de implantação do Museu Regional está na fase de captação de recursos para a segunda etapa: aquisição de equipamentos e instalação de obras de acessibilidade. Elas estão orçadas em R$ 1.041,576,74, conforme o projeto inicial e os recursos destinados pelo Grupo Rima serão investidos nesses dois setores.
O reitor da Unimontes, professor João dos Reis Canela, ressalta a relevância da obra para a preservação da cultura mineira, que reunirá galerias representativas das tradições dos municípios do Norte de Minas. Salienta, ainda, que “esse aporte de recursos é de suma importância para a consolidação do Museu Regional” e que a iniciativa deve sensibilizar outras empresas locais às ações que visam a preservação do patrimônio histórico-cultural da região.
Aquisições
Já a pró-reitora de Extensão, professora Marina Ribeiro Queiroz, salienta que o “Museu Regional do Norte de Minas oferecerá ao público, especialmente à comunidade estudantil, um espaço cultural de maior relevância”. “Os recursos do Grupo Rima permitirão o início da segunda etapa do Museu Regional, com prioridade para as obras de acessibilidade e do projeto luminotécnico (aspectos de iluminação do local), além de aquisição de mobiliário e equipamentos”, acrescenta.
Em comunicado, o Grupo Rima destacou a importância do investimento, uma vez que o Museu Regional irá contribuir para o resgate da história e da cultura da região norte-mineira: “o gerenciamento da Unimontes é de grande relevância. O gesto demonstra o carinho que a empresa dedica à região, onde está presente desde a década de 70 do século passado”.
O Grupo Rima é líder na produção e comercialização de ligas à base de silício no Brasil, com empresas na região Norte de Minas. É o único produtor de magnésio primário do Hemisfério Sul. Os produtos são fabricados a partir de reservas próprias de dolomita e quartzo de alta pureza, em processos certificados pela norma ISO 9001/2000. A produção é sustentável, com o grupo contando com florestas, que produzem biocombustível sólido. Na região norte mineira, possui unidades nos municípios de Bocaiúva, Capitão Enéas e Várzea da Palma.
(Com Agência Minas)
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O projeto de implantação do Museu Regional do Norte de Minas, que funcionará no Casarão da Fafil, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), receberá recursos da ordem de R$ 150 mil. O investimento foi viabilizado na parceira com o Grupo Rima por intermédio da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet).
O prédio em estilo colonial, datado de 1889 e localizado no centro histórico de Montes Claros, foi reformado pelo governo de Minas em 2009, como parte da primeira etapa de criação do Museu Regional. Na oportunidade, os recursos aplicados também foram viabilizados pelas empresas Cemig Cultural e Telemar (Oi Futuro), por intermédio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
Atualmente, o projeto de implantação do Museu Regional está na fase de captação de recursos para a segunda etapa: aquisição de equipamentos e instalação de obras de acessibilidade. Elas estão orçadas em R$ 1.041,576,74, conforme o projeto inicial e os recursos destinados pelo Grupo Rima serão investidos nesses dois setores.
O reitor da Unimontes, professor João dos Reis Canela, ressalta a relevância da obra para a preservação da cultura mineira, que reunirá galerias representativas das tradições dos municípios do Norte de Minas. Salienta, ainda, que “esse aporte de recursos é de suma importância para a consolidação do Museu Regional” e que a iniciativa deve sensibilizar outras empresas locais às ações que visam a preservação do patrimônio histórico-cultural da região.
Aquisições
Já a pró-reitora de Extensão, professora Marina Ribeiro Queiroz, salienta que o “Museu Regional do Norte de Minas oferecerá ao público, especialmente à comunidade estudantil, um espaço cultural de maior relevância”. “Os recursos do Grupo Rima permitirão o início da segunda etapa do Museu Regional, com prioridade para as obras de acessibilidade e do projeto luminotécnico (aspectos de iluminação do local), além de aquisição de mobiliário e equipamentos”, acrescenta.
Em comunicado, o Grupo Rima destacou a importância do investimento, uma vez que o Museu Regional irá contribuir para o resgate da história e da cultura da região norte-mineira: “o gerenciamento da Unimontes é de grande relevância. O gesto demonstra o carinho que a empresa dedica à região, onde está presente desde a década de 70 do século passado”.
O Grupo Rima é líder na produção e comercialização de ligas à base de silício no Brasil, com empresas na região Norte de Minas. É o único produtor de magnésio primário do Hemisfério Sul. Os produtos são fabricados a partir de reservas próprias de dolomita e quartzo de alta pureza, em processos certificados pela norma ISO 9001/2000. A produção é sustentável, com o grupo contando com florestas, que produzem biocombustível sólido. Na região norte mineira, possui unidades nos municípios de Bocaiúva, Capitão Enéas e Várzea da Palma.
(Com Agência Minas)
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segunda-feira, 15 de julho de 2013
Captação de Recursos: Marta Suplicy diz que estatais terão cotas para projetos de cultura negra
RIO DE JANEIRO, RJ, 9 de julho (Folhapress) - Em uma reunião com lideranças culturais do movimento negro, na tarde de hoje, no Rio, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou que sua pasta vai organizar os investimentos das estatais em cultura e criará cotas de patrocínio para projetos ligados à cultura negra.
"Nós estamos procurando saber o que todas as estatais patrocinam, porque cada uma patrocina uma coisa e acaba ficando sem uma política estatal de cultura. Vamos mapear todas as áreas culturais que são patrocinadas, analisar todos os projetos. Vamos dar uma política de Estado para as estatais e vai ter cota para projetos negros", disse a ministra, sendo bastante aplaudida pelo público que superlotou o teatro do Centro Cultural Banco do Brasil.
O evento contou com "a nata da produção artística negra do país", nas palavras do mediador, Hilton Cobra, presidente da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao MinC. Além de representantes de entidades negras de diversos Estados, personalidades culturais como o cantor Chico César, atualmente secretário de Cultura da Paraíba, o cantor baiano Carlinhos Brown, o cineasta paulistano Jeferson De e o ator carioca Antônio Pitanga estavam presentes.
40% do orçamento
A ministra recebeu dois documentos com propostas do Akoben, coletivo de artistas e produtores negros. A principal delas, apoiada por todos os presentes, pedia 40% do orçamento do MinC para produções de artistas negros. "Nossa proposta visa atender as demandas e necessidades de preservação e de sobrevivência dos mantenedores e difusores dos bens materiais e imateriais de descendência africana", disse o representante da Akoben. "Estamos aqui nos propondo a colaborar com o MinC no sentido de implantar uma política cultural de Estado que seja verdadeiramente inclusiva e democrática."
A ministra reagiu com espanto. "Uau. Eu esperava algum tipo de reivindicação, mas 40% não. Quarenta por cento não dá, né?"
O encontro também serviu para discutir a suspensão judicial do edital lançado pelo MinC exclusivamente para produtores, criadores e pesquisadores negros. Marta afirmou que a ideia do edital exclusivo surgiu após o ministério constatar que poucos projetos de temática negra conseguiam aprovação para captar recursos via Lei Rouanet e que, mesmo os que eram aprovados, não conseguiam captar as verbas com as empresas.
"O juiz disse que não era constitucional fazer isso. Não sei de onde ele tirou, até o Supremo já concordou com as ações afirmativas."
Um representante da Advocacia Geral da União presente à reunião afirmou que o governo já conseguiu derrubar a liminar de primeira instância que impedia o edital de prosseguir, fazendo com que os processos de seleção sejam realizados normalmente até a fase de pagamento --para executar os pagamentos aos projetos selecionados, é preciso uma vitória no julgamento da causa em segunda instância, ainda sem data definida.
A ministra anunciou ainda que a Fundação Palmares lançará, no próximo dia 18, em Salvador, editais que somarão R$ 4 milhões para projetos ligados à cultura negra, e que irá abrir concurso público para preencher 11 vagas.
Os participantes do encontro pediram ainda um encontro com a presidente Dilma Rousseff, para levar suas demandas. "Peçam audiência para a presidenta, gente. Acho que ela vai ter muito prazer em ouvi-los, porque são 52% da população, afinal", disse a ministra.
"Nós estamos procurando saber o que todas as estatais patrocinam, porque cada uma patrocina uma coisa e acaba ficando sem uma política estatal de cultura. Vamos mapear todas as áreas culturais que são patrocinadas, analisar todos os projetos. Vamos dar uma política de Estado para as estatais e vai ter cota para projetos negros", disse a ministra, sendo bastante aplaudida pelo público que superlotou o teatro do Centro Cultural Banco do Brasil.
O evento contou com "a nata da produção artística negra do país", nas palavras do mediador, Hilton Cobra, presidente da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao MinC. Além de representantes de entidades negras de diversos Estados, personalidades culturais como o cantor Chico César, atualmente secretário de Cultura da Paraíba, o cantor baiano Carlinhos Brown, o cineasta paulistano Jeferson De e o ator carioca Antônio Pitanga estavam presentes.
40% do orçamento
A ministra recebeu dois documentos com propostas do Akoben, coletivo de artistas e produtores negros. A principal delas, apoiada por todos os presentes, pedia 40% do orçamento do MinC para produções de artistas negros. "Nossa proposta visa atender as demandas e necessidades de preservação e de sobrevivência dos mantenedores e difusores dos bens materiais e imateriais de descendência africana", disse o representante da Akoben. "Estamos aqui nos propondo a colaborar com o MinC no sentido de implantar uma política cultural de Estado que seja verdadeiramente inclusiva e democrática."
A ministra reagiu com espanto. "Uau. Eu esperava algum tipo de reivindicação, mas 40% não. Quarenta por cento não dá, né?"
O encontro também serviu para discutir a suspensão judicial do edital lançado pelo MinC exclusivamente para produtores, criadores e pesquisadores negros. Marta afirmou que a ideia do edital exclusivo surgiu após o ministério constatar que poucos projetos de temática negra conseguiam aprovação para captar recursos via Lei Rouanet e que, mesmo os que eram aprovados, não conseguiam captar as verbas com as empresas.
"O juiz disse que não era constitucional fazer isso. Não sei de onde ele tirou, até o Supremo já concordou com as ações afirmativas."
Um representante da Advocacia Geral da União presente à reunião afirmou que o governo já conseguiu derrubar a liminar de primeira instância que impedia o edital de prosseguir, fazendo com que os processos de seleção sejam realizados normalmente até a fase de pagamento --para executar os pagamentos aos projetos selecionados, é preciso uma vitória no julgamento da causa em segunda instância, ainda sem data definida.
A ministra anunciou ainda que a Fundação Palmares lançará, no próximo dia 18, em Salvador, editais que somarão R$ 4 milhões para projetos ligados à cultura negra, e que irá abrir concurso público para preencher 11 vagas.
Os participantes do encontro pediram ainda um encontro com a presidente Dilma Rousseff, para levar suas demandas. "Peçam audiência para a presidenta, gente. Acho que ela vai ter muito prazer em ouvi-los, porque são 52% da população, afinal", disse a ministra.
fonte: http://www.diariodosudoeste.com.br/
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
Captação de Recursos: Filme faz ator desistir de abandonar carreira
Longa vai estrear em agosto, nos Estados Unidos, e traz Forest Whitaker no papel principal da trama
Cercado de expectativas em Hollywood, por reconstituir três décadas da história presidencial americana no século XX, o drama "The butler" (O mordomo), em cartaz nos EUA em agosto, impediu que um dos maiores atores do país, o texano Forest Whitaker, abandonasse sua carreira. Graças à experiência de dar vida a um lendário mordomo da Casa Branca no filme de Lee Daniels ("Preciosa"), Whitaker saiu da "depressão profissional". Mas, por pouco, ele não jogou sua trajetória cinematográfica de 31 anos para o alto, desestimulado pelo que chama de "infantilização" do cinema em seu país.
O longa vai reconstituir três décadas da história presidencial americana no século XX: "Há dois anos, quando o convite de Lee chegou, eu estava destinado a deixar de ser ator e arrumar outra coisa para fazer da vida", disse Forest
"Há dois anos, quando o convite de Lee chegou, eu estava destinado a deixar de ser ator e arrumar outra coisa para fazer da vida. Minha carreira estava andando para trás", confessou Whitaker ao Globo, em um bate-papo ao fim do Festival de Cannes, em maio.
Aos 51 anos, Whitaker passou pela Croisette com o thriller político "Zulu", um dos muitos projetos em que se envolveu sob o estímulo de "The butler". Rodado há mais de um ano, o filme consumiu um longo processo de montagem para reconstituir as épocas retratadas.
Dedicado hoje a várias empreitadas pessoais, incluindo a cinebiografia do músico Louis Armstrong, ainda em fase de captação de recursos, Whitaker ganhou o Oscar de melhor ator em 2007, por "O último rei da Escócia", na pele do ditador Idi Amin. Mas, após receber a estatueta, se viu cercado de convites para projetos sem ambições autorais. E perdeu o prazer de interpretar.

"Há dois anos, quando o convite de Lee chegou, eu estava destinado a deixar de ser ator e arrumar outra coisa para fazer da vida. Minha carreira estava andando para trás", confessou Whitaker ao Globo, em um bate-papo ao fim do Festival de Cannes, em maio.
Aos 51 anos, Whitaker passou pela Croisette com o thriller político "Zulu", um dos muitos projetos em que se envolveu sob o estímulo de "The butler". Rodado há mais de um ano, o filme consumiu um longo processo de montagem para reconstituir as épocas retratadas.
Dedicado hoje a várias empreitadas pessoais, incluindo a cinebiografia do músico Louis Armstrong, ainda em fase de captação de recursos, Whitaker ganhou o Oscar de melhor ator em 2007, por "O último rei da Escócia", na pele do ditador Idi Amin. Mas, após receber a estatueta, se viu cercado de convites para projetos sem ambições autorais. E perdeu o prazer de interpretar.
"Essa conversa de que a eleição de Obama melhorou a situação dos negros no cinema americano, ampliando a diversidade dos nossos papéis, é relativa. Nosso espaço já vinha crescendo bem antes de Obama ser eleito, por razões comerciais ligadas à demanda das plateias negras. Mas aumento de quantidade nem sempre condiz com aumento de qualidade. Foi só após ler o roteiro de "The butler" (escrito por Lee Daniels e Danny Strong) que voltei a acreditar em desafios e na transcendência estética do cinema", diz Whitaker, escalado para viver Cecil Gaines, que foi empregado da Casa Branca durante 34 anos.
Daniels e Whiatker criaram a figura de Gaines com base na história real do octogenário Eugene Allen, que trabalhou para oito presidentes, entre eles John Kennedy (1971-1963) e Richard Nixon (1913-1994). A biografia do mordomo foi traçada em um artigo do "The Washinton Post", "A butler well served by this election" (Um mordomo bem servido por esta eleição), publicado por Wil Haygood em 2008. Daniels rebatizou o personagem para dar mais radicalismo político (sobretudo na discussão do racismo) a seu filme. "É uma história de afirmação negra", o diretor já havia dito ao Globo em Cannes, no ano passado, quando exibiu "The paperboy" e iniciava a produção do novo longa-metragem, de US$ 25 milhões.
"The butler" reúne ainda uma série de estrelas, de Vanessa Redgrave ao cantor Lenny Kravitz, passando por Oprah Winfrey e Jane Fonda. Para encarnar alguns dos líderes americanos, foram convocados Robin Williams (Dwight Eisenhower), James Marsden (Kennedy), Liev Schreiber (Lyndon Johnson), John Cusack (Nixon), Alan Rickman (Ronald Reagan) e Orlando Eric Street (Obama).
"Eu tive que fazer uma preparação com mordomos profissionais para aprender a me comportar ao servir bandejas, limpar sujeira e me dirigir a autoridades", conta Whitaker, que já vem chamando a atenção nos cinemas americanos e na internet com o trailer do filme. "Ao trabalhar o roteiro, Daniels nunca deixava claro o que era real ou inventado. O momento mais forte das filmagens foi a troca com James Marsden, nas cenas entre Cecil e Kennedy, pela simbiose que criamos. Eu era pequeno quando Kennedy foi morto, mas me lembro da sensação de ressaca que a morte dele deixou nos adultos".
Programado para estrear na temporada do fim de ano, de onde saem os candidatos ao Oscar, "The butler" teve seu lançamento antecipado para agosto, no fim da temporada dos blockbusters de verão. Seus produtores enxergam no longa um poder de mobilização popular, sobretudo entre as comunidades negras, similar ao do drama "Histórias cruzadas" (2011). Outro longa ligado à discussão da inclusão racial afroamericana que traz Whitaker no elenco é o musical "Black Nativity", de Kasi Lemmons, em cartaz a partir de novembro, com Jennifer Hudson como protagonista.
Em "Zulu", que estreia em novembro, ele é um agente envolvido numa investigação de assassinato na África do Sul. Para 2014, ele tem dois longas já em produção, ambos ligados à causa negra: "Enemy way", de Rachid Bouchareb, em que vive um policial muçulmano em crise, e "Out of the furnace", de Scott Cooper, no qual é coadjuvante de uma trama de vingança estrelada por Christian Bale.
"A grande vitória negra em Hollywood é que vamos fechar 2013 com dez filmes dirigidos por cineastas negros em cartaz. Era um espaço que faltava alcançar", celebra Whitaker, que estreou na direção em 1993, com "À mão armada", e rodou cinco longas.
Além do plano de filmar a história de Armstrong, o ator quer dirigir outro filme biográfico. O tema: a vida turbulenta do comediante Richard Pryor (1940-2005), parceiro de Gene Wilder em sucessos como "Loucos de dar nó" (1980).
"Essas duas figuras são importantes para a cultura americana. Pryor foi uma lenda do humor. No caso de Armstrong, existe a chance de eu poder cantar e tocar. Sempre faço as músicas dos filmes que dirijo", conta Whitaker. "Quando estou dirigindo um filme, levo um pacote de fitas cassete no meu carro e fico ouvindo, no caminho da minha casa até a locação, para inspirar a trilha sonora".
Programado para estrear na temporada do fim de ano, de onde saem os candidatos ao Oscar, "The butler" teve seu lançamento antecipado para agosto, no fim da temporada dos blockbusters de verão. Seus produtores enxergam no longa um poder de mobilização popular, sobretudo entre as comunidades negras, similar ao do drama "Histórias cruzadas" (2011). Outro longa ligado à discussão da inclusão racial afroamericana que traz Whitaker no elenco é o musical "Black Nativity", de Kasi Lemmons, em cartaz a partir de novembro, com Jennifer Hudson como protagonista.
Em "Zulu", que estreia em novembro, ele é um agente envolvido numa investigação de assassinato na África do Sul. Para 2014, ele tem dois longas já em produção, ambos ligados à causa negra: "Enemy way", de Rachid Bouchareb, em que vive um policial muçulmano em crise, e "Out of the furnace", de Scott Cooper, no qual é coadjuvante de uma trama de vingança estrelada por Christian Bale.
"A grande vitória negra em Hollywood é que vamos fechar 2013 com dez filmes dirigidos por cineastas negros em cartaz. Era um espaço que faltava alcançar", celebra Whitaker, que estreou na direção em 1993, com "À mão armada", e rodou cinco longas.
Além do plano de filmar a história de Armstrong, o ator quer dirigir outro filme biográfico. O tema: a vida turbulenta do comediante Richard Pryor (1940-2005), parceiro de Gene Wilder em sucessos como "Loucos de dar nó" (1980).
"Essas duas figuras são importantes para a cultura americana. Pryor foi uma lenda do humor. No caso de Armstrong, existe a chance de eu poder cantar e tocar. Sempre faço as músicas dos filmes que dirijo", conta Whitaker. "Quando estou dirigindo um filme, levo um pacote de fitas cassete no meu carro e fico ouvindo, no caminho da minha casa até a locação, para inspirar a trilha sonora".
fonte: http://diariodonordeste.globo.com/
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segunda-feira, 24 de junho de 2013
Captação de Recursos: O SUFOCO DOS INDEPENDENTES
“Walachai”, produzido no Rio Grande do Sul
Sem as distribuidoras majors e o apoio promocional da Globo Filmes, e sem interferências mercadológicas, o cinema independente é, quantitativamente, o mais numeroso no Brasil. Este viés cinematográfico é o que mais tem crescido exponencialmente nos últimos anos, seja pelo barateamento das tecnologias, seja pelo aumento de recursos públicos para essa categoria. Se o cinema independente parece ter uma raiz essencialmente conceitual, autoral, centrada na figura do diretor, há muitos produtores que têm se destacado por fazer esses filmes acontecerem, brigando por um espaço exibidor ocupado pelo cinema com grande apelo comercial. Como essa turma faz para se impor em um mercado praticamente injusto com o cinema que busca inteligência como sua atração de público? A Revista de CINEMA conversou com cinco jovens produtores, de diferentes Estados brasileiros, que têm se destacado nesse cenário, buscando entender as dificuldades de se fazer um filme pequeno e independente, da produção à distribuição. São eles: Aletéia Selonk (RS), Cavi Borges (RJ), Emilie Lesclaux (PE), Leonardo Mecchi (SP) e Luana Melgaço (MG).
O caminho dos editais
Mesmo com estrutura e dimensão menor, há ainda a busca por orçamentos necessários para o filme acontecer. Saber como manejar o pouco dinheiro é, muitas vezes, o maior desafio. “Por vezes, um realizador chega com um projeto afirmando tratar-se de algo que pode ser realizado com pouquíssimos recursos, mas quando se começa a analisar o roteiro, conversar com o diretor sobre suas ideias, entender as expectativas, vê-se que nem sempre aquela estimativa se mostra coerente. Mas não é apenas na captação de recursos que se encontram dificuldades para a produção independente. Encontrar e montar a equipe certa para aquele projeto específico é sempre um enorme desafio – e, na maioria das vezes, definidor do sucesso ou não daquela empreitada – além de conseguir com que todos trabalhem na mesma sintonia, pois é preciso um envolvimento e dedicação verdadeiros para se trabalhar em uma produção independente. Não se pode ter uma atitude de ‘bater cartão’, uma relação patrão-empregado, nesse tipo de projeto, sob risco de inviabilizá-lo”, conta Leonardo Mecchi, da Enquadramento Produções, produtor, entre outros, de longas como “Super Nada” (2012), de Rubens Rewald, e de “À Margem do Lixo” (2008), de Evaldo Mocarzel.
Para Luana Megaço, da Teia, de Belo Horizonte, a dificuldade na produção decorre do aumento de projetos em competição, com o acréscimo de mais filmes concorrendo em poucos editais. © Leo Lara
“Trabalho sempre em uma parceria muito próxima com o diretor e, juntos, esboçamos quais editais, fundos e prêmios se encaixam na proposta que temos para o filme. A partir daí, pensamos em como desenvolver o projeto de forma que ele seja competitivo, salientando suas qualidades técnicas, artísticas e como pretendemos financiá-lo. A dificuldade é que, apesar do número de editais e oportunidades terem aumentado muito nos últimos anos, não corresponde à quantidade de filmes que são realizados. Dessa forma, a competição é grande. Ter patrocínio direto de empresas nem sempre é fácil, pois a maioria não está acostumada aos trâmites das leis de incentivo e/ou acreditam que o apoio a um projeto seja parte de ação de marketing para a própria empresa, não entendem bem o papel de investimento em uma política cultural”, pontua Luana Melgaço, da Teia, produtora de “A Falta que me Faz” (2009), de Marília Rocha, de “O Céu sobre os Ombros” (2010), de Sérgio Borges, e de “Girimunho” (2011), de Helvécio Marins e Clarissa Campolina, entre outros.
Dependente do mercado de captação
Melgaço toca num ponto importante no levantamento de recursos para se filmar. Há dois caminhos usuais dentro dos incentivos públicos a se trilhar: via captação de recursos com isenção fiscal diretamente nas empresas ou via editais. Algumas empresas, como BNDES, Petrobras, Eletrobras, entre algumas outras, criaram uma política cultural, transformando a captação de recursos nelas em edital. O ideal é conseguir os dois, segundo os produtores. “Os editais são muito importantes, mas, para uma produção maior, é difícil reunir todo o dinheiro apenas com eles. O tempo para levantar os recursos de um filme é muito variável, depende muito do orçamento. Para ‘O Som ao Redor’, foram cerca de dois anos, que é um tempo curto. As coisas aconteceram relativamente rápido: em 2008, ganhamos o Fundo Hubert Bals e, em 2009, os editais do Ministério da Cultura, da Petrobras e do Governo de Pernambuco. Depois, foi mais um trabalho de conseguir parcerias e apoios”, conta Emilie Lesclaux, da Cinemascópio, francesa radicada em Recife desde 2002 e produtora de “Crítico” (2008) e de “O Som ao Redor” (2012), ambos de Kleber Mendonça Filho, entre outros.
A boa carreira nos festivais de “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho, produzido por Emilie Lesclaux, deu um empurrão junto ao distribuidor. © Felipe Bandeira
“A captação com empresas é sempre fundamental, ainda que exija um trabalho árduo e de grande paciência. Os editais interessam, pois normalmente garantem uma boa porcentagem dos projetos em uma única instância. Mas, o que tem gerado bons resultados é a combinação de diversas fontes de financiamento, porque esta diversidade pode representar uma alternativa mais rápida para a viabilização”, complementa Aletéia Selonk, da Okna Produções, produtora de, entre outros, “A Última Estrada da Praia” (2010), de Fabiano de Souza, e de “Walachai” (2011), de Rejane Zilles.
Aletéia Selonk, da Okna Produções, de Porto Alegre, encontra nichos de mercado com exibição de seus filmes a longo prazo, mas sofre o preconceito com o rótulo de produção regional. © Lucifer
Mecchi explica como faz para buscar as diferentes fontes de financiamento. “Há projetos que têm perfil para captação junto a empresas, outros que você sabe que só serão financiáveis via editais. Se for algo mais ousado ou transgressor (temática ou esteticamente), dificilmente se consegue captar algo através de empresas e é preciso focar nos editais. Já, se há um apelo mais comercial/popular, a captação via empresas é muito mais fácil. ‘Obra’, do Gregorio Graziosi (filme em P&B, scope, poucos diálogos etc.) foi todo com edital. ‘Super Nada’ foi a maior parte por edital, mas conseguimos captar parte em empresas por conta da presença do Jair Rodrigues no elenco”, comenta.
Cavi Borges, da Cavídeo, um dos mais intensos produtores do Brasil, tem conseguido levantar dinheiro em parcerias e apoio diversos, sem contar com renúncia fiscal ou dinheiro público. “Meus últimos 20 longas não foram captados nem por empresas e nem por editais. Queria muito ajuda dos dois, mas ainda não rolou. Ou melhor, está começando a rolar agora, depois de quase 100 filmes, entre curtas e longas. Minha forma de captar se baseia numa rede colaborativa formada por contatos, ações, ideias, amigos e parceiros. Coproduções com canais de TV também têm sido uma ótima forma de captar. E essa nova lei do cabo me tem permitido capitalizar e financiar novos filmes. A grande vantagem dessa forma de produção é a velocidade com que as coisas acontecem. Fazemos a captação, a pré-produção, a produção e a pós em um ou dois anos no máximo”, conta o produtor de, entre outros, “Riscado” (2010), de Gustavo Pizzi.
Cavi Borges, da Cavídeo, do Rio de Janeiro, contou com uma rede colaborativa formada por contatos, amigos, parceiros e coproduções com canais de TV para realizar mais de 100 filmes. © Leo Lara
Mágica nos orçamentos
A contrapartida para Cavi tem sido o orçamento: os longas variam de R$ 50 mil a R$ 250 mil, e os curtas de R$ 5 mil a R$ 80 mil, valores, em geral, bastante abaixo dos praticados no mercado. “Para conseguir fazer com esses valores, temos que inverter a forma de pensar os filmes. Já na escrita do roteiro temos que fazê-lo já ciente de quanto temos em caixa e, com isso, adaptá-los à nossa realidade orçamentária. A pergunta que me persegue sempre: ‘Qual filme posso fazer com essa verba que dispomos?”, complementa. “Dependemos de muitas parcerias. Desde a escolha da equipe, do elenco, da locação, da câmera que vai ser usada, da alimentação, da finalização, da distribuição e da exibição”, conta Cavi, que aposta muito na relação que tem com o Canal Brasil e com a Link Digital, e nisso tem conseguido fazer uma média de sete longas por ano, além de ter produzido curtas, mostras e cursos.
“‘Girimunho’, que é o filme de maior orçamento com que já trabalhei, custou aproximadamente R$ 1,2 milhão. Foi o suficiente para fazermos da forma que queríamos, mas não teve folga. Os salários foram abaixo do padrão do mercado, e trabalhamos com uma estrutura bem enxuta, por exemplo. Comparando com outros filmes, foi uma produção ‘confortável’: ‘O Céu sobre os Ombros’ foi realizado com recursos para a produção de curta-metragem, com R$ 100 mil. E o novo documentário de Marcos Pimentel (‘Sopro’), foi feito sem recursos para filmagem e com prêmios que ganhamos em editais e encontros internacionais para finalização. Trabalhar com filmes de baixo (às vezes baixíssimo, às vezes nenhum) orçamento, exige do produtor uma habilidade em negociar, dialogar com o diretor para entender onde é importante empregar os recursos financeiros e apostar naquilo que vai trazer diferença para o resultado final do filme”, explica Luana, que tem buscado na coprodução internacional um caminho. “Pretendemos continuar com essas parcerias em outros projetos, porque, além de trazerem recursos extras ao projeto, são fundamentais na difusão do filme quando pronto, tanto em festivais, quanto possibilitando a sua distribuição em outros países”, diz.
“O Céu sobre os Ombros”, produzido por Luana Melgaço, da Teia, foi realizado com um orçamento de curta-metragem, de R$ 100 mil
Para Emilie Lesclaux, as coisas não são tão diferentes. “Já fizemos curtas sem dinheiro, curtas com um pouco mais de dinheiro, um longa documentário sem dinheiro nenhum. ‘O Som ao Redor’ foi a nossa primeira ‘grande’ produção com um orçamento de R$ 1,8 milhão. Mas o filme que produzimos logo depois, ‘Permanência’, custou menos de R$ 1 milhão. ‘Bacurau’, próximo filme de Kleber com Juliano Dornelles, deverá ter R$ 2,5 milhões. Cada filme é diferente, mas sempre existem dificuldades para se adaptar à realidade do orçamento. A negociação com a equipe e elenco é importante, porque os salários sempre pesam muito num orçamento. Alguns departamentos como o de arte ou o de figurino podem sofrer um pouco com as restrições e ter que trabalharem com muitas parcerias para conseguir locações e objetos”, complementa Emilie, que alterna a produção de filmes com a do festival Janela Internacional de Cinema do Recife – atualmente, finaliza o curta “Sem-Coração”, de Tião e Nara Normande, e o longa “Permanência”, de Leonardo Lacca, além de se preparar para filmar “Bacurau” e já estar captando para “Aquarius”, novo roteiro de Kleber Mendonça Filho.
“Fazemos adaptações muitas vezes, mas isso não é regra. Se um projeto não consegue se viabilizar, é melhor preservá-lo para outra situação do que alterá-lo sem medida”, afirma Aletéia, que fez três longas com menos de R$ 500 mil e finaliza a animação “As Aventuras do Avião Vermelho”, de José Maia e Frederico Pinto, orçado em R$ 3 milhões.
Emilie Lesclaux, da Cinemascópio, de Recife, contou com uma campanha alternativa, como a internet, para atrair mais de 90 mil espectadores para “O Som ao Redor”. © Universo Produção
“Brinco que, dependendo do projeto e de seu orçamento, é mais fácil realizá-lo sem recurso nenhum do que com pouco orçamento. Isso porque, a partir do momento em que se envolve dinheiro, as relações de trabalho se alteram. Mas, quando se compara com uma produção de maior orçamento, é possível negociar em outro patamar cachês, serviços e locações, pois as pessoas entendem tratar-se de um projeto de baixo orçamento. Para isso, entretanto, é preciso saber com quais profissionais se pode trabalhar, pois há aqueles que ‘custam caro’ não apenas por seus cachês, mas por não conseguirem trabalhar de maneira ‘barata’”, afirma Leonardo Mecchi, cujos longas têm girado em torno de R$ 1,2 milhão e R$ 1,6 milhão. “Para alguns projetos, o valor é suficiente. Para outros, é preciso se adequar, seja negociando ‘com a rédea curta’ cachês, serviços e equipamentos, seja adaptando o roteiro original, reduzindo personagens, locações ou alterando/cortando cenas para minimizar o custo total do projeto”, pontua.
O isolamento dos polos regionais
Com o aumento de recursos governamentais e políticas públicas culturais para a promoção do cinema, vários Estados têm conseguido se estabelecer fora do eixo Rio-SP. Porém, a distância ainda atrapalha as negociações, por conta da estrutura muitas vezes insuficiente dentro de toda a cadeia cinematográfica. Por sua vez, São Paulo e Rio de Janeiro, mesmo tendo mais recursos, concentram massivamente os produtores, aumentando a concorrência.
“Obra”, primeiro longa-metragem de Gregozio Graziosi, produzido por Leonardo Mecchi para a Superfilmes, com recurso de um edital da prefeitura de São Paulo
“Para a captação de recursos, diria que hoje não existem mais desafios aqui do que em outra região do país. Temos acesso a muitos editais nacionais e hoje temos recursos públicos em Pernambuco, que muitos Estados invejam. Para captar recursos de empresas, estar próximo do eixo Rio-SP e das sedes das grandes empresas ainda faz uma diferença. Nesse sentido, podemos nos sentir ainda um pouco isolados. Mas com o crescimento industrial de Pernambuco nos últimos anos, acho que existe um potencial de captação a ser explorado”, conta Emilie. “Por estarmos aqui, podemos ter acesso ao fundo local, o Filme em Minas, grande incentivador dos nossos filmes, mas é um recurso pequeno e bienal, deixando lacunas nos anos em que não há concurso. Nos editais nacionais, o gargalo é ainda maior para projetos fora do eixo Rio-SP. O único filme mineiro aprovado no edital da Petrobras desse ano foi o ‘A Cidade Onde Envelheço’, que produzo, mas tenho certeza que muitos outros bons projetos foram inscritos”, complementa Luana Melgaço, que trabalha no desenvolvimento de três longas “A Cidade Onde Envelheço”, de Marília Rocha, “Coiote”, de Sérgio Borges, e “Canção ao Longe”, de Clarissa Campolina, além de ter acabado de finalizar um curta e um longa de Marcos Pimentel (“Sopro” e “Sanã”).
Para Aletéia Selonk, as coisas complicam um pouco mais. “Dificulta estar no Rio Grande do Sul, porque fico longe do centro econômico do país e do local onde circula o maior volume de informações, o que me exige investimentos constantes em viagens para contatos e eventos. De qualquer modo, as conexões com o mercado externo e interno vêm se desenvolvendo, pois invisto nos contatos em um primeiro momento e em uma manutenção destas relações, podendo ocorrer de modo presencial ou não”, conta Aletéia, que não consegue necessariamente emplacar longas de maneira seguida, apesar de ter vários projetos em desenvolvimento, caso de “Mulher do Pai”, de Cristiane Oliveira, em captação, e de “Ponto Zero”, de José Pedro Goulart, que filma ainda neste ano.
Mesmo no centro financeiro, em São Paulo, Leonardo Mecchi vê outros problemas. “São Paulo é um dos locais onde há mais recurso público disponível para o cinema, mas é também um dos locais onde há mais produtoras e realizadores em atividade, tornando a concorrência mais acirrada. Além disso, São Paulo é uma cidade muito cara, não apenas nos custos diretos de produção (equipe, locação de equipamento etc.), mas também nos custos periféricos, como transporte, alimentação, hospedagem etc.”, comenta o produtor, que está em finalização de “Obra”, em desenvolvimento de “Carmen”, de Aaaron Ferandez, produzindo uma mostra e dois festivais, e iniciando a carreira em festivais de um curta.
O produtor Leonardo Mecchi, da Enquadramento Produções, de São Paulo, trabalha em um polo de cinema com muito dinheiro, excessiva concorrência e o alto custo de produção
A escolha do projeto certo
Eles trabalham com estruturas pequenas, fazem filmes com poucos recursos, e ainda assim aparecem muitos projetos para eles. Para dar conta da demanda, precisam selecionar ao que se dedicar. “Recebo projetos e roteiros quase todo dia. Uma verdadeira loucura. No início, dizia ‘sim’ pra todos, agora preciso escolher. Meus critérios variam muito. Às vezes, o projeto não é tão bom, mas a pessoa que quer fazê-lo está muito determinada e acredita muito naquele projeto. Isso conta muito pra mim. Às vezes, escolho o projeto pelo diretor, um amigo, um cara que já fez outros filmes interessantes. Às vezes, aposto num diretor estreante. Nem sempre participo de um filme desde o início. Às vezes, sim, opinando até no roteiro. Às vezes, só participo das filmagens, outras vezes, apenas da finalização e outras, apenas na distribuição. O que realmente me importa é contribuir e ajudar aquele filme/diretor a terminar o seu filme da melhor forma possível”, conta Cavi, que, no momento, se prepara para filmar “Dois Casamentos”, de Luiz Rosemberg Filho, e “Arca de Noé”, de André Sampaio, e finaliza 11 longas e 10 curtas, entre eles, “Cidade de Deus – 10 Anos Depois”, que codirige com Luciano Vidigal, e “Faroeste”, de Abelardo Carvalho.
“Faroeste”, de Abelardo Carvalho, produzido por Cavi Borges, tem investimento próprio e apoio do município onde foi filmado
A busca por produzir filmes em que realmente acredita ou se interessa, sem vislumbrar apenas o aspecto comercial, é, muitas vezes, o que motiva o produtor a apostar em projetos independentes. “Recebo cada vez mais projetos. Sinto que faltam produtores no mercado. Existem muitos técnicos – diretores de produção, assistentes de produção, produtores de set e locação, e eles são essenciais –, mas poucos profissionais conseguem se dedicar à produção de um filme de forma mais global, ou seja, lidar com o longo tempo de dedicação entre a ideia/roteiro, a captação dos recursos, o desenvolvimento do projeto etc., pensando o filme de forma estratégica. Não consigo atender a todos os convites que recebo. Tenho que fazer escolhas e a preferência é produzir os filmes daqueles diretores dos quais já sou parceira, principalmente, porque posso acompanhar a sua realização desde o início. Se tenho que escolher, escolho aqueles projetos para os quais, de fato, posso contribuir”, conta Luana Melgaço.
Leonardo Mecchi, formado em engenharia, começou a trabalhar com cinema primeiro como crítico e depois como produtor da Raiz Produções. A Enquadramento Produções surgiu em 2008. “Uma das razões que me fez parar de trabalhar em uma produtora maior, mais consolidada, e abrir minha própria produtora foi justamente a possibilidade de escolher aqueles projetos nos quais me interessa trabalhar, seja porque me identifico com o roteiro ou com o realizador. Logicamente, nem sempre é possível escolher, por questões pragmáticas e financeiras, ‘aquele’ projeto que acha mais interessante, mas posso afirmar que nunca trabalhei com algo ou alguém que não respeitasse ou não tivesse o mínimo interesse”, conta. Para ele, o fato de ter sido crítico antes é um diferencial. “Mais do que na escolha de projetos, influencia no diálogo com os diretores, no processo colaborativo, pois os diretores adoram poder discutir o filme no plano estético, estrutural, com o produtor, e não apenas de questões de cronograma e orçamento”, afirma o produtor, que ainda não consegue emplacar um longa após o outro, mas tem diversificado, produzindo mostras, festivais e também curtas.
Os meios para o filme chegar ao público
Talvez o maior desafio de um filme independente seja o de chegar ao público, não importando o meio. Boa parte desses longas fica relegada apenas aos festivais, não conseguindo uma carreira comercial, seja no cinema, em home video, televisão ou streaming. Novas formas têm aparecido, mas ainda é difícil. Dos 80 filmes brasileiros que estrearam comercialmente, pouco mais da metade teve menos de 10 mil espectadores. Poucos conseguem quebrar essa barreira. “O Som ao Redor” é surpreendente nesse sentido, ao fazer mais de 93 mil espectadores. O filme é distribuído pela Vitrine Filmes, a principal desse setor. Outras começam a se juntar em torno dela, como a Lume Filmes, a Pipa Filmes, a Tucuman Filmes, entre outras.
“Com ‘O Som ao Redor’, tivemos a sorte de nos associar a uma distribuidora muito parceira e acho que juntos tomamos decisões estratégicas em termos de divulgação e espaços para exibir o filme. Como produtores, investimos muito pessoalmente nessas escolhas e no próprio trabalho de concepção dos anúncios, de montagem de trailers, teasers, vídeos. Sem dúvida, a internet, bem utilizada, permite alcançar resultados surpreendentes com investimentos mínimos (redes sociais, YouTube). As campanhas na internet, a escolha das salas, os poucos anúncios que fizemos na imprensa, tudo foi pensado estrategicamente para o perfil do nosso filme. Sem falar que contamos com uma recepção muito boa em termos de festivais e de imprensa, que deu um empurrão importante ao filme”, conta Emilie Lesclaux, que, por conta do resultado e do fato de possuírem quase 100% do filme, tem conseguido algum retorno financeiro.
Vencendo os entraves da distribuição
Para Leonardo Mecchi, o ideal é você saber qual é o seu público potencial e como atingi-lo, tarefa muito árdua. “Há cada vez mais caminhos alternativos para se chegar ao público. Se sua intenção é que o maior número possível de pessoas veja seu filme, é possível fazê-lo por inúmeras vias, desde o grande e capilarizado circuito de cineclubes existentes no Brasil hoje, até a internet. A grande questão é como monetizar essa distribuição”, comenta. “É possível um retorno financeiro com as vendas de seu filme para TVs, em DVD, distribuição internacional etc. Produzi um documentário, de média-metragem, em plano-sequência, com câmera fixa, falado em inglês [“Chantal Akerman, de Cá” (2010), de Gustavo Beck e Leonardo Ferreira]. Consigo pensar em poucas coisas menos ‘comerciais’ do que isso. Entretanto, consegui lançá-lo no circuito comercial, vendê-lo para duas TVs no Brasil, comercializá-lo em DVD, distribuí-lo nos EUA e em Portugal etc. Logicamente, não fiquei rico com isso, mas houve um retorno financeiro, porém sempre à custa de muito esforço, estratégia e trabalho”, complementa Mecchi, que julga que os maiores concorrentes para um filme brasileiro no circuito exibidor não são os blockbusters, mas sim os demais filmes brasileiros, que chegam para tirá-lo de cartaz e atrair o mesmo público almejado.
Aletéia Selonk tem encontrado outros entraves para distribuir um filme para além da pecha de independente e não comercial. “Meus filmes sempre carregaram um rótulo de ‘produção regional’ e isso não é visto com bons olhos, considerando a prática do mercado. É importante desenhar uma estratégia de comunicação que prepare as diferentes instâncias envolvidas – exibidores, formadores de opinião e público em geral – para o que está por vir. Outra estratégia relevante é tentar driblar algumas barreiras como a distribuição quando estamos trabalhando filmes de nicho. Nesse caso, acredito em métodos alternativos de distribuição como diálogo direto da produtora com as salas e utilização dos novos meios”, conta Aletéia, que não consegue retorno financeiro imediato, apenas explorando as janelas por longos períodos.
Marketing e divulgação inclui festivais
“É difícil ter visibilidade quando o mercado nacional reconhece um filme apenas por seu retorno financeiro e o sucesso está atrelado ao volume de recursos gastos em publicidade e ações promocionais. Resta aos filmes independentes brasileiros um nicho de mercado muito pequeno, com possibilidades de exibição comercial cada vez mais reduzidas, já que as salas dedicadas ao cinema de arte, fora dos multiplexes e shoppings, estão diminuindo também. Não acredito que esses filmes sejam difíceis e não dialoguem com o público. É importante trabalhar com uma distribuidora que busque novas estratégias de divulgação, incluindo as novas mídias e redes sociais, saiba incentivar a propaganda boca a boca, dialogar com escolas e universidades, conciliar as exibições em salas tradicionais com outras em museus, cineclubes e centros culturais e, em algumas ocasiões, buscar a distribuição em janelas simultâneas. Mas temos poucas empresas que investem nesse nicho de mercado, são distribuidoras pequenas com capacidade de trabalhar com poucos filmes por ano. Encontram uma quantidade enorme de filmes sendo realizados e a decisão de apostar em uma ou outra produção vai depender, entre outras coisas, da recepção do filme nos festivais e pela crítica, e também se o projeto tem algum recurso reservado para o seu lançamento comercial, seja através de prêmios ou editais de distribuição”, pontua Luana Melgaço, que vê com dessabor a distribuição atual, e tem apostado em parcerias com cineclubes, e em estratégias alternativas de divulgação, como o envio de um DVD de “O Céu sobre os Ombros” para mais de 22 mil assinantes da Revista Piauí.
Cena de “Riscado”, produzido por Cavi Borges, premiado no festival do Rio e de Gramado, e realizado com ajuda de parceiros
Cavi Borges tem se destacado justamente pela busca de métodos alternativos de distribuição. Poucos de seus longas chegaram às salas comerciais, ainda que tenham circulado bem em festivais. “Esses são nossas primeiras e talvez mais importantes janelas de divulgação e exibição. Depois vêm as TVs, a internet, DVDs, cineclubes, cinemas e até barracas de ‘pirateiros’. Não necessariamente nessa ordem. A ordem tradicional de lançamento – festivais, cinema, TV e DVD – também não funciona tão bem e para esses filmes mais independentes. Por que não quebrar essas regras e testar novos caminhos? Não tem como ignorar mais a internet”, argumenta. Cavi, que, além da produtora, tem um selo de DVD (Original) e uma locadora (Cavídeo), está abrindo sua própria distribuidora, em parceria com a Carla Osorio e a Jal Guerreiro, a Livres. “Penso hoje nos cinemas apenas como espaço para agregar valor a esses filmes pequenos, para ter matérias, críticas e criar um buchicho. Pra depois ganhar grana e ser visto realmente nas outras mídias. Meu primeiro longa, ‘L.A.P.A.’ ficou 8 semanas em cartaz no Rio e foi visto por duas mil pessoas. O mesmo aconteceu com o ‘Riscado’. Ganhamos uma mixaria de grana nos cinemas e ainda fomos vistos por poucos. Isso pode ser diferente. Tanto de público, quanto de grana”, comenta, apontando que nenhum filme da Cavídeo, pelos seus baixíssimos orçamentos, deixou de dar lucro.
Por Gabriel Carneiro
fonte: http://revistadecinema.uol.com.br/
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
Captação de Recursos: Fundação Cultural de Curitiba quer reativar o Cine Luz
Depois passar mais de três anos com as portas fechadas, de um leilão fracassado do prédio-sede e de quase ter mudado para outro lugar, o Cine Luz deve, agora, ser reativado no mesmo prédio onde sempre funcionou. É o que pretende a Fundação Cultural de Curitiba, que irá retomar a administração do local. O anúncio foi confirmado esta semana pelo presidente da Fundação, Marcos Cordiolli.
Desde que exibiu sua última sessão, em novembro de 2009, o Cine Luz passou os últimos três anos e meio com destino incerto. Com a sede fechada por recomendação do Corpo de Bombeiros, a única esperança restante era que uma das três salas do complexo do Cine Passeio – um projeto ainda em andamento – fosse batizada como Sala Luz.
Nesse meio tempo, a sede, de propriedade da Prefeitura, chegou a ser colocada em leilão. Mas não houve interessados e o local continuou ocioso. Até que a nova administração da Fundação Cultural mostrou interesse pela reativação do espaço, hoje sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Administração (Smad).
De acordo com o assessor de Relações Institucionais da Presidência da FCC, Elton Barz, a decisão veio depois que uma nova vistoria do Corpo de Bombeiros mostrou que era possível readequar as instalações às normas atuais de acessibilidade e segurança. A falta de saídas de emergência adequadas e de acesso para pessoas com deficiência foi justamente o motivo que levou ao fechamento do cinema.
Centro
A reabertura do Cine Luz no mesmo local onde funcionava garantirá uma nova sala pública de cinema na região central de Curitiba. Somada à Cinemateca, serão cinco salas relativamente próximas. Segundo Barz, essa variedade de salas permitirá que o Luz tenha um enfoque mais específico, ainda a ser definido.
Até a abertura, ainda há muito a ser feito. Por enquanto, a Fundação está aguardando que os bombeiros ratifiquem o laudo (o que deve acontecer ainda este mês) para iniciar um pré-projeto para a remodelação. Em seguida, reassumirá a responsabilidade pelo imóvel e passará a captar recursos para a reforma. “Pretendemos viabilizar não só com orçamento próprio, mas também buscando recursos federais”, explica Barz.
A sala terá que ser inteiramente remodelada, pois pouco do que tinha de mobiliário poderá ser reaproveitado. Nem mesmo a tela continua lá, pois foi levada para o Cine Guarani. Com as readequações, a sala também deve perder entre 10% e 20% da sua capacidade, que anteriormente era de aproximadamente 150 pessoas.
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fonte: http://www.bemparana.com.br/
terça-feira, 21 de maio de 2013
Captação de Recursos: Flipoços abre a sua 8ª edição com 1ª Mostra de Cinema
A Flipoços abre neste sábado sua 8.ª edição com uma novidade: a 1ª Mostra de Cinema. Dois dos filmes a serem exibidos até o dia 5, quando termina o festival em Poços de Caldas (MG), foram baseados em obras dos convidados Ariano Suassuna ("O Auto da Compadecida") e João Ubaldo Ribeiro ("Deus É Brasileiro"), que participam de debate sobre essas adaptações.
O tema deste ano será A Imortalidade na Literatura - O Legado de Nossos Escritores Imortais. Da Academia Brasileira de Letras vão, além de Suassuna e Ubaldo, Sérgio Paulo Rouanet e Evanildo Bechara. Nélida Piñon será a patronesse, e um vídeo com uma mensagem dela será exibido no evento.
Foram convidados, ainda, cerca 100 escritores e jornalistas, entre os quais os brasileiros Marcelino Freire, Miriam Leitão, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, Laerte, José Castello, Edson Amâncio, Sérgio Abranches, Elizabeth Lorenzotti, Jaime Prado Gouvêa e Mário Magalhães, o peruano Pedro Granados, autor de "Prepucio Carmesí", o português Luis Miguel Rocha, que lançou aqui, entre outros, "A Mentira Sagrada" e terá "A Filha do Papa" editado em breve, e o mexicano radicado no Brasil Juan Pablo Villalobos.
Vinicius de Moraes e Albert Camus, cujos centenários são celebrados este ano, vão ser lembrados no evento que prestará homenagem também ao escritor Hugo Pontes, de Poços de Caldas, e à Livraria Cultura. O festival inclui ainda programação infantil - com contação de histórias, teatro e brincadeiras - e uma feira de livros.
A Flipoços vem crescendo nos últimos anos, mas os desafios ainda são grandes. "Faltam recursos para investir mais em inovações e estrutura. Não conseguimos captar a totalidade dos recursos que as leis nos permitem, mas mesmo assim fazemos milagres que se materializam nesta festa única", comenta Gisele Corrêa Ferreira, idealizadora e organizadora da feira que recebeu, em 2012, 30 mil visitantes. Segundo ela, o festival custa R$ 300 mil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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fonte: http://atarde.uol.com.br/
terça-feira, 14 de maio de 2013
Curso de Captação de Recursos: Deborah Secco: 'Ainda não parei para pensar no filme da Joelma'
Em primeira aparição pública após se separar de Roger Flores, atriz prestigiou evento de óculos, na noite desta quinta-feira (25), em São Paulo
Deborah Secco prestigiou, na noite desta quinta-feira (25), o Carrera Ignition Night, na Casa das Caldeiras, no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Foi a primeira aparição pública da atriz após o término da relação com o jogador Roger Flores. Usando uma saia comprada em um brechó de Nova York, uma blusa da Zara e sapatos Ellus, a atriz chegou abalando as estruturas do evento.
Sem tocar no assunto do fim do casamento com Roger, Deborah, que está no elenco da sérieLouco por Elas, também preferiu não falar sobre a polêmica da cantora Joelma, após declarações homofóbicas. "Graças a Deus, não tenho preconceito com os gays. Inclusive, tenho uma relação ótima com eles. Mas prefiro não dar minha opinião sobre as declarações de Joelma, porque será só mais uma opinião entre tantas".
Já sobre o filme, em que interpretaria a cantora da Banda Calypso, a atriz explicou que ainda não há nada confirmado. "Só falarei sobre isso quando tomar minha decisão. Tenho pensado, apenas na série [Louco por Elas]. Nas minhas férias, pretendo descansar e dormir muito. Estávamos em processo de captação de recursos para o filme e não parei para pensar nisso."
Sem ter tara por óculos, a atriz prestigiou o evento com um modelito branco nas mãos e disse que eles são muito úteis para quem tem uma rotina atribulada como a dela e para quem vive na ensolarada Rio de Janeiro. "Óculos escuros é ótimo para que dorme pouco", disse, aos risos. "Óculos escuros têm tudo a ver com praia e com o Rio. Não compro muitos, mas ganho vários de presente. Gosto especialmente dos com haste branca", disse.
Deborah, que chegou a emagrecer 12 quilos para interpretar uma soropositiva no longa Boa Sorte, dirigido por Carolina Jabor e com roteiro de Jorge Furtado, mostrou que já está com o peso em dia. Na trama, ela se apaixona por João (João Pedro Zappa) e os dois vivem um intenso romance dentro de uma clínica psiquiátrica. Para a atriz, foi importante passar pela pesada dieta para poder compor a personagem. "Tive uma dieta bem restritiva, mas já recuperei meu peso. Foi muito legal participar do filme. Emagrecer deu profundidade à personagem. Fiquei muito emocionada e achei que muito bem filmado. Antes de estrear nos cinemas, passará por festivais internacionais."
Diante de uma personagem que está tão próxima da morte, Deborah aproveitou para revelar o que o amor significa para ela. "Meu amor é a minha família", confessou. Sobre a relação com a família, Deborah citou a mãe como a melhor. "Minha mãe sempre foi melhor mãe do mundo, mas rigorosa com horários. Era daquelas que saía de camisola na rua atrás da gente."
Correndo com o ritmo das gravações de Louco por Elas e o set de filmagens de Boa Sorte, a atriz falou sobre a notícia de que teria perdido sua carteira de habilitação. "Não perdi. Fazemos umas coisinhas no trânsito de madrugada, principalmente quando saímos tarde das filmagens e gravações. O carro que eu estava usando nem é meu, apesar de estar no meu nome. Tenho que tomar cuidado, principalmente nesta fase, em que tem algumas pessoas me seguindo."
fonte: http://revistaquem.globo.com/
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
Curso de Captação de Recursos:Flipoços abre a sua 8ª edição com 1ª Mostra de Cinema
A Flipoços abre neste sábado sua 8.ª edição com uma novidade: a 1ª Mostra de Cinema. Dois dos filmes a serem exibidos até o dia 5, quando termina o festival em Poços de Caldas (MG), foram baseados em obras dos convidados Ariano Suassuna ("O Auto da Compadecida") e João Ubaldo Ribeiro ("Deus É Brasileiro"), que participam de debate sobre essas adaptações.
O tema deste ano será A Imortalidade na Literatura - O Legado de Nossos Escritores Imortais. Da Academia Brasileira de Letras vão, além de Suassuna e Ubaldo, Sérgio Paulo Rouanet e Evanildo Bechara. Nélida Piñon será a patronesse, e um vídeo com uma mensagem dela será exibido no evento.
Foram convidados, ainda, cerca 100 escritores e jornalistas, entre os quais os brasileiros Marcelino Freire, Miriam Leitão, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, Laerte, José Castello, Edson Amâncio, Sérgio Abranches, Elizabeth Lorenzotti, Jaime Prado Gouvêa e Mário Magalhães, o peruano Pedro Granados, autor de "Prepucio Carmesí", o português Luis Miguel Rocha, que lançou aqui, entre outros, "A Mentira Sagrada" e terá "A Filha do Papa" editado em breve, e o mexicano radicado no Brasil Juan Pablo Villalobos.
Vinicius de Moraes e Albert Camus, cujos centenários são celebrados este ano, vão ser lembrados no evento que prestará homenagem também ao escritor Hugo Pontes, de Poços de Caldas, e à Livraria Cultura. O festival inclui ainda programação infantil - com contação de histórias, teatro e brincadeiras - e uma feira de livros.
A Flipoços vem crescendo nos últimos anos, mas os desafios ainda são grandes. "Faltam recursos para investir mais em inovações e estrutura. Não conseguimos captar a totalidade dos recursos que as leis nos permitem, mas mesmo assim fazemos milagres que se materializam nesta festa única", comenta Gisele Corrêa Ferreira, idealizadora e organizadora da feira que recebeu, em 2012, 30 mil visitantes. Segundo ela, o festival custa R$ 300 mil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
fonte:http://br.noticias.yahoo.com/
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
Captação de Recursos: Aprovado Sistema de Financiamento à Cultura
Por unanimidade foi aprovado, na última quinta (2), no plenário da Câmara dos Vereadores de Pacajus, que fica a 49 Km da Capital, o projeto de lei que estabelece a criação do Sistema Municipal de Financiamento à Cultura. A legislação tem como objetivo incentivar as diversas manifestações culturais e artísticas locais por meio de um financiamento direto.
Um dos principais mecanismos desse sistema é o Fundo Municipal de Cultura, que irá financiar projetos através de demandas espontâneas e editais, de pessoas físicas e jurídicas.
A partir da sua criação, parte dos recursos próprios arrecadados pelo município serão diretamente depositados no sistema, o que garante ao setor um orçamento anual obrigatório, além de garantir o repasse fundo a fundo, ou seja, a captação de recursos dos Fundos Estadual e também Nacional para o desenvolvimentos de projetos culturais no município.
"A lei vem criar um novo panorama, acabando com a cultura de passar o chapéu e correr atrás de patrocínios. É uma questão de respeito a quem faz cultura, um passo importante para reconhecer esse setor", disse o vereador Glauber Robson, antes da votação.
O secretário de Cultura, Geimison Falcão, enalteceu a criação do SMFC. "Pacajus entra para um seleto rol de cidades cearenses. Na Região Metropolitana, apenas Fortaleza, Horizonte e Itaitinga possuem o Fundo Municipal de Cultura. A partir de agora, a cultura de nosso município irá virar uma cultura sustentável, permitindo que artistas vivam de suas produções. Cultura é lazer e entretenimento, mas também é meio de vida".
Um dos principais mecanismos desse sistema é o Fundo Municipal de Cultura, que irá financiar projetos através de demandas espontâneas e editais, de pessoas físicas e jurídicas.
A partir da sua criação, parte dos recursos próprios arrecadados pelo município serão diretamente depositados no sistema, o que garante ao setor um orçamento anual obrigatório, além de garantir o repasse fundo a fundo, ou seja, a captação de recursos dos Fundos Estadual e também Nacional para o desenvolvimentos de projetos culturais no município.
"A lei vem criar um novo panorama, acabando com a cultura de passar o chapéu e correr atrás de patrocínios. É uma questão de respeito a quem faz cultura, um passo importante para reconhecer esse setor", disse o vereador Glauber Robson, antes da votação.
O secretário de Cultura, Geimison Falcão, enalteceu a criação do SMFC. "Pacajus entra para um seleto rol de cidades cearenses. Na Região Metropolitana, apenas Fortaleza, Horizonte e Itaitinga possuem o Fundo Municipal de Cultura. A partir de agora, a cultura de nosso município irá virar uma cultura sustentável, permitindo que artistas vivam de suas produções. Cultura é lazer e entretenimento, mas também é meio de vida".
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fonte:http://diariodonordeste.globo.com/
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Captação de Recursos: Moacyr Góes: "Fazer sucesso no Brasil é quase um crime"
Em entrevista ao iG, diretor de "Bonitinha, Mas Ordinária" defende cinema comercial e diz que problema da produção nacional está no roteiro
Daniela Nader/Divulgação
Moacyr Góes concede entrevista na edição 2013 do Cine PE - Festival do Audiovisual
Moacyr Góes era um consagrado diretor de teatro quando fez sua estreia no cinema em 2003, com "Dom", adaptação da obra de Machado de Assis. Foi massacrado pela crítica.
A partir daí, fez comédias, filmes religiosos e levou à telona longas da apresentadora Xuxa e do Padre Marcelo Rossi, reunindo em uma breve carreira praticamente todos os gêneros apontados como vilões do cinema nacional de qualidade.
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Ciente disso, ele brinca dizendo que falam de seus filmes "praticamente como uma acusação". "Fazer sucesso no Brasil é quase um crime, mas nunca liguei", afirma Góes, em entrevista ao iG . "Vou fazer aquilo que acho legal fazer. Não atendo a nenhum tipo de patrulha."
Reafirmando a convicção no próprio currículo, o diretor diz não ter o costume de "cuspir no prato que comeu". Mas ele também não esconde que considera o longa mais recente, "Bonitinha, Mas Ordinária" , seu melhor e mais autêntico trabalho. Acostumado a trabalhar como diretor contratado, desta vez ele pensou o projeto desde o início. "É o que tem mais a minha cara, que fiz como achei que tinha de fazer e com os atores que amo."
Filmado em 2008, "Bonitinha, Mas Ordinária" finalmente teve a primeira exibição nacional na terça-feira (3), durante o Cine PE - Festival do Audiovisual, realizado em Olinda. Foi o fim de uma espera de quatro anos, motivada principalmente por dificuldades financeiras e pelo esforço do produtor Diler Trindade em baixar a censura de 18 para 16 anos, em busca de um público maior.
Leia também: Quatro anos após filmagem, 'Bonitinha, Mas Ordinária' é exibido
Com estreia marcada para 24 de maio, o longa atualiza a obra de Nelson Rodrigues sobre Edgar (João Miguel, premiado no Cine PE ), homem simples, honesto e ambicioso que gosta da vizinha, Rita (Leandra Leal), mas fica tentado a se casar com Maria Cecília (Letícia Colin) em troca de R$ 5 milhões. A menina, filha de seu chefe, foi estuprada por cinco negros em uma favela carioca e o casamento é visto como forma de salvar sua honra.

Segundo Diler Trindade, o conteúdo sexual da trama foi uma das razões que dificultou a captação de recursos, com empresas hesitando a se associar a um filme com cenas fortes no momento em que o cinema brasileiro "é muito pudico" e luta contra os estigmas deixados pelas pornochanchadas.
Góes garante, porém, que nada influenciou o roteiro e a edição. "Não tive nenhuma preocupação em fazer de maneira mais chocante ou de omitir alguma coisa. Fiz exatamente o que achava que a história pedia."
Leia também: Cinema nacional quer diversidade para brigar com blockbusters
Na entrevista a seguir, o diretor fala sobre a angústia provocada pelo atraso do lançamento, defende ingressos mais baratos para filmes nacionais e opina sobre os desafios do cinema brasileiro: "Nosso grande problema é roteiro".
iG: Como foi esperar quatro anos para ver "Bonitinha, Mas Ordinária" no cinema?
Moacyr Góes: Senti angústia, porque quando crio, quero botar no mundo. Mas agora está tudo bem, o filme passou no Cine PE e a reação das pessoas foi muito boa. Quando passa tanto tempo, você cria muitas expectativas, boas e más. Agora o filme fala por ele mesmo, o que é a melhor coisa.
iG: Durante esse período, você continuou mexendo no longa?
Góes: Sim, o filme passou por várias transformações de trilha e edição. Eu fiquei burilando. Mas não precisaria de tanto tempo pra burilar (risos)
iG: Você cortou ou modificou as cenas de sexo para facilitar a captação de recursos ou baixar a censura do longa?
Góes: Não. O filme jamais foi cortado para ser 14, 16 ou 18 anos. E não tive nenhuma preocupação em fazer de maneira mais chocante ou de omitir alguma coisa. Fiz exatamente o que achava que a história pedia. Não tenho nenhum problema com sexo e sei que ele só tem sentido no cinema se estiver inserido numa perspectiva dramatúrgica. Senão, é apelação. Sempre tive muito claro que este não é filme sobre sexo e nudez. Este é mais um dos equívocos que existem sobre o Nelson, como se ele fosse um pornógrafo. É uma história de amor, de pessoas que vivem experiências sexuais despregadas do amor. O que Edgar quer é viver com a mulher que ama. Se existe uma personagem com desejo perverso, não vou agir como censor. Mas também não agiria como alguém que quer fazer um filme com este tipo de apelo.

Moacyr Góes era um consagrado diretor de teatro quando fez sua estreia no cinema em 2003, com "Dom", adaptação da obra de Machado de Assis. Foi massacrado pela crítica.
A partir daí, fez comédias, filmes religiosos e levou à telona longas da apresentadora Xuxa e do Padre Marcelo Rossi, reunindo em uma breve carreira praticamente todos os gêneros apontados como vilões do cinema nacional de qualidade.
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Ciente disso, ele brinca dizendo que falam de seus filmes "praticamente como uma acusação". "Fazer sucesso no Brasil é quase um crime, mas nunca liguei", afirma Góes, em entrevista ao iG . "Vou fazer aquilo que acho legal fazer. Não atendo a nenhum tipo de patrulha."
Reafirmando a convicção no próprio currículo, o diretor diz não ter o costume de "cuspir no prato que comeu". Mas ele também não esconde que considera o longa mais recente, "Bonitinha, Mas Ordinária" , seu melhor e mais autêntico trabalho. Acostumado a trabalhar como diretor contratado, desta vez ele pensou o projeto desde o início. "É o que tem mais a minha cara, que fiz como achei que tinha de fazer e com os atores que amo."
Filmado em 2008, "Bonitinha, Mas Ordinária" finalmente teve a primeira exibição nacional na terça-feira (3), durante o Cine PE - Festival do Audiovisual, realizado em Olinda. Foi o fim de uma espera de quatro anos, motivada principalmente por dificuldades financeiras e pelo esforço do produtor Diler Trindade em baixar a censura de 18 para 16 anos, em busca de um público maior.
Leia também: Quatro anos após filmagem, 'Bonitinha, Mas Ordinária' é exibido
Com estreia marcada para 24 de maio, o longa atualiza a obra de Nelson Rodrigues sobre Edgar (João Miguel, premiado no Cine PE ), homem simples, honesto e ambicioso que gosta da vizinha, Rita (Leandra Leal), mas fica tentado a se casar com Maria Cecília (Letícia Colin) em troca de R$ 5 milhões. A menina, filha de seu chefe, foi estuprada por cinco negros em uma favela carioca e o casamento é visto como forma de salvar sua honra.
Segundo Diler Trindade, o conteúdo sexual da trama foi uma das razões que dificultou a captação de recursos, com empresas hesitando a se associar a um filme com cenas fortes no momento em que o cinema brasileiro "é muito pudico" e luta contra os estigmas deixados pelas pornochanchadas.
Góes garante, porém, que nada influenciou o roteiro e a edição. "Não tive nenhuma preocupação em fazer de maneira mais chocante ou de omitir alguma coisa. Fiz exatamente o que achava que a história pedia."
Leia também: Cinema nacional quer diversidade para brigar com blockbusters
Na entrevista a seguir, o diretor fala sobre a angústia provocada pelo atraso do lançamento, defende ingressos mais baratos para filmes nacionais e opina sobre os desafios do cinema brasileiro: "Nosso grande problema é roteiro".
iG: Como foi esperar quatro anos para ver "Bonitinha, Mas Ordinária" no cinema?
Moacyr Góes: Senti angústia, porque quando crio, quero botar no mundo. Mas agora está tudo bem, o filme passou no Cine PE e a reação das pessoas foi muito boa. Quando passa tanto tempo, você cria muitas expectativas, boas e más. Agora o filme fala por ele mesmo, o que é a melhor coisa.
iG: Durante esse período, você continuou mexendo no longa?
Góes: Sim, o filme passou por várias transformações de trilha e edição. Eu fiquei burilando. Mas não precisaria de tanto tempo pra burilar (risos)
iG: Você cortou ou modificou as cenas de sexo para facilitar a captação de recursos ou baixar a censura do longa?
Góes: Não. O filme jamais foi cortado para ser 14, 16 ou 18 anos. E não tive nenhuma preocupação em fazer de maneira mais chocante ou de omitir alguma coisa. Fiz exatamente o que achava que a história pedia. Não tenho nenhum problema com sexo e sei que ele só tem sentido no cinema se estiver inserido numa perspectiva dramatúrgica. Senão, é apelação. Sempre tive muito claro que este não é filme sobre sexo e nudez. Este é mais um dos equívocos que existem sobre o Nelson, como se ele fosse um pornógrafo. É uma história de amor, de pessoas que vivem experiências sexuais despregadas do amor. O que Edgar quer é viver com a mulher que ama. Se existe uma personagem com desejo perverso, não vou agir como censor. Mas também não agiria como alguém que quer fazer um filme com este tipo de apelo.
Divulgação
Góes apresente 'Bonitinha, Mas Ordinária' no Cine PE - Festival do Audiovisual
iG: Agora que vai chegar às salas, o filme terá de enfrentar a concorrência dos grandes lançamentos. É a favor de intervenção governamental na distribuição?
Góes: É preciso que o Estado perceba que não é possível investir apenas em produção. É preciso pensar na circulação e na exibição. Temos um parque cinematográfico muito reduzido, que faz com que ele seja dominado pelos blockbusters norte-americanos . Temos que ampliar, dobrar o número de salas rapidamente. E acho que o ingresso para filme brasileiro tem de ser mais barato do que para os estrangeiros. Acho desigual um filme como o meu, que custou R$ 2 milhões, competir com "Homem de Ferro" , que custou US$ 350 milhões (na verdade, os dois últimos e mais caros filmes da franquia da Marvel custaram US$ 200 milhões cada um, ou R$ 401 milhões) . O público brasileiro gosta de cinema brasileiro e gosta de se ver na tela. Mas não tem acesso.
iG: Você fez uma série de filmes comerciais e foi criticado por muitos deles. Acha que fazer sucesso no Brasil pega mal?
Góes: Existe isso. Fazer sucesso no Brasil é quase um crime. Mas nunca liguei. Tenho uma trajetória muito solitária, tanto no cinema quanto no teatro. Vou fazer aquilo que acho legal fazer. Não atendo a nenhum tipo de patrulha. Meu único critério é a questão da honestidade. Se me chamarem para fazer um filme com picaretagem, não vou. E se souber que tem, vou sair. Mas acho legítimo (o cinema comercial), não vejo nenhum problema com a onda de comédias suaves ou superficiais.
iG: Acha que as comédias têm uma função no cinema brasileiro?
Góes: Não é questão de função, não acho que vai fazer com que o brasileiro vá mais ao cinema. As pessoas vão ao cinema por dois motivos: o principal é se divertir, o outro é porque acham a história é importante. É o caso de "Carandiru" e "Tropa de Elite" . Ninguém vai ver "Tropa de Elite" para se divertir. Vai porque é uma história importante, que reflete o Brasil, porque é muito bem feito. As duas possibilidades (que motivam o público) estão ligadas à história e ao elenco. O mercado cinematográfico mundial vive de roteiro e ator. Não vive de diretor, que leva meia dúzia ao cinema. As pessoas saem de casa para ver os atores vivendo uma certa história. O Brasil vive de polêmicas falsas - agora são as comédias. Vamos fazer filmes diversos e vamos fazer comédias mais críticas e elaboradas também. Temos grandes comediantes e atores. Temos de dar a eles grandes histórias e personagens.
iG: Acha que faltam bons roteiristas no Brasil?
Góes: O nosso grande problema é roteiro. Quando se discute as comédias, se discute errado. A questão não é ser comédia ou não, é se as comédias são boas histórias. Temos comediantes muito melhores do que roteiristas, atores muito melhores do que as histórias a serem contadas. Nosso nó é o roteiro, principalmente porque o momento de pré-produção, de elaboração de projetos, é o momento no qual não se tem dinheiro, não se investe. É preciso inverter.
O cinema americano é a indústria poderosa que é porque sabe que vai pagar a conta no final se não investir, se não pagar bem os roteiros, se não os fizerem circular para que sejam melhor elaborados por vários profissionais. Se não tiverem boas histórias, todo o investimento feito vai naufragar. A gente não tem isso, ou tem muito pouco. Eu reivindico melhor remuneração e mais tempo de elaboração dos roteiros. Talento existe, mas quando é preciso entregar o trabalho em dois meses, fica difícil.
Góes apresente 'Bonitinha, Mas Ordinária' no Cine PE - Festival do Audiovisual
iG: Agora que vai chegar às salas, o filme terá de enfrentar a concorrência dos grandes lançamentos. É a favor de intervenção governamental na distribuição?
Góes: É preciso que o Estado perceba que não é possível investir apenas em produção. É preciso pensar na circulação e na exibição. Temos um parque cinematográfico muito reduzido, que faz com que ele seja dominado pelos blockbusters norte-americanos . Temos que ampliar, dobrar o número de salas rapidamente. E acho que o ingresso para filme brasileiro tem de ser mais barato do que para os estrangeiros. Acho desigual um filme como o meu, que custou R$ 2 milhões, competir com "Homem de Ferro" , que custou US$ 350 milhões (na verdade, os dois últimos e mais caros filmes da franquia da Marvel custaram US$ 200 milhões cada um, ou R$ 401 milhões) . O público brasileiro gosta de cinema brasileiro e gosta de se ver na tela. Mas não tem acesso.
iG: Você fez uma série de filmes comerciais e foi criticado por muitos deles. Acha que fazer sucesso no Brasil pega mal?
Góes: Existe isso. Fazer sucesso no Brasil é quase um crime. Mas nunca liguei. Tenho uma trajetória muito solitária, tanto no cinema quanto no teatro. Vou fazer aquilo que acho legal fazer. Não atendo a nenhum tipo de patrulha. Meu único critério é a questão da honestidade. Se me chamarem para fazer um filme com picaretagem, não vou. E se souber que tem, vou sair. Mas acho legítimo (o cinema comercial), não vejo nenhum problema com a onda de comédias suaves ou superficiais.
iG: Acha que as comédias têm uma função no cinema brasileiro?
Góes: Não é questão de função, não acho que vai fazer com que o brasileiro vá mais ao cinema. As pessoas vão ao cinema por dois motivos: o principal é se divertir, o outro é porque acham a história é importante. É o caso de "Carandiru" e "Tropa de Elite" . Ninguém vai ver "Tropa de Elite" para se divertir. Vai porque é uma história importante, que reflete o Brasil, porque é muito bem feito. As duas possibilidades (que motivam o público) estão ligadas à história e ao elenco. O mercado cinematográfico mundial vive de roteiro e ator. Não vive de diretor, que leva meia dúzia ao cinema. As pessoas saem de casa para ver os atores vivendo uma certa história. O Brasil vive de polêmicas falsas - agora são as comédias. Vamos fazer filmes diversos e vamos fazer comédias mais críticas e elaboradas também. Temos grandes comediantes e atores. Temos de dar a eles grandes histórias e personagens.
iG: Acha que faltam bons roteiristas no Brasil?
Góes: O nosso grande problema é roteiro. Quando se discute as comédias, se discute errado. A questão não é ser comédia ou não, é se as comédias são boas histórias. Temos comediantes muito melhores do que roteiristas, atores muito melhores do que as histórias a serem contadas. Nosso nó é o roteiro, principalmente porque o momento de pré-produção, de elaboração de projetos, é o momento no qual não se tem dinheiro, não se investe. É preciso inverter.
O cinema americano é a indústria poderosa que é porque sabe que vai pagar a conta no final se não investir, se não pagar bem os roteiros, se não os fizerem circular para que sejam melhor elaborados por vários profissionais. Se não tiverem boas histórias, todo o investimento feito vai naufragar. A gente não tem isso, ou tem muito pouco. Eu reivindico melhor remuneração e mais tempo de elaboração dos roteiros. Talento existe, mas quando é preciso entregar o trabalho em dois meses, fica difícil.
fonte: ig.com.br
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Para saber mais sobre Captação de Recursos acesse cursosraizesculturais.com.br
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